RIO GRANDE DO SUL — A alta do diesel S10 pode elevar em R$ 612,2 milhões os custos diretos das operações mecanizadas nas principais lavouras do Rio Grande do Sul, segundo estudos da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). Em um cenário com o combustível a R$ 9,00 por litro, as perdas potenciais chegariam a R$ 1,47 bilhão.
A estimativa foi apresentada enquanto a entidade cobra providências diante de relatos de atrasos e restrições na entrega de óleo diesel a produtores rurais, no início do plantio da safra de verão. A Farsul protocolou um ofício nesta segunda-feira (14/9) dirigido a Artur Watt Neto, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Pedido de fiscalização
A federação solicita fiscalização imediata das distribuidoras que operam no estado e a publicação regionalizada de informações sobre estoques, pedidos recebidos, volumes entregues, recusas e prazos de atendimento. Também pede explicações sobre os critérios usados para distribuir os volumes disponíveis.
Entre as medidas requeridas estão a investigação de possíveis recusas sem justificativa, retenção de produto, tratamento desigual entre compradores e limitação artificial da oferta. A Farsul quer ainda dados sobre o calendário de importações, os efeitos práticos da subvenção anunciada pelo governo federal e os resultados das apurações relacionadas à crise de março e abril, além de um plano de contingência para os períodos de plantio e colheita.
O presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, afirmou, em vídeo divulgado pela entidade, que a situação repete um problema ocorrido durante a colheita de arroz e soja no início do ano. “O combustível não chegava às propriedades”, disse. Na ocasião, operações agrícolas foram interrompidas, o preço do diesel chegou a R$ 9 por litro e as dificuldades alcançaram cerca de 170 municípios gaúchos.
A entidade afirma que a janela agronômica para o plantio é limitada. Para a Farsul, a falta de combustível pode atrasar a implantação das culturas, diminuir a área plantada e afetar a produtividade. O aumento do diesel também pesa sobre os custos de produção e transporte, com possíveis reflexos nos preços dos alimentos.
Conforme boletim da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel nacional ficou abaixo da paridade de importação durante todo o mês de agosto, com diferença de até R$ 2,56 por litro. A federação avalia que a subvenção de R$ 1 por litro anunciada em 9 de setembro precisa se traduzir em oferta regular e redução de preços.



