Israel ordenou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental após Reino Unido, França e Canadá anunciarem medidas para bloquear importações de produtos agrícolas produzidos em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. As ações foram divulgadas nesta terça-feira (08/09) e têm como justificativa a expansão dos assentamentos e o aumento da violência de colonos judaicos contra palestinos.
O ministro israelense do Exterior, Gideon Saar, classificou as sanções como “ultrajantes” e acusou Londres de promover uma “interferência flagrante” na soberania de Israel. Além do fechamento do consulado, o governo israelense informou que pode expulsar representantes britânicos de um centro que monitora o plano de cessar-fogo em Gaza mediado pelos Estados Unidos, impedir o treinamento britânico de forças da Autoridade Palestina e barrar a entrada de 12 cidadãos britânicos, em sua maioria parlamentares.
Sanções e defesa da solução de dois Estados
Os ministros do Exterior do Reino Unido, da França e do Canadá se juntaram a outros dez países, entre eles Dinamarca, Noruega, Polônia, Espanha e Suécia, em uma declaração de apoio a uma solução negociada de dois Estados. “A solução de dois Estados deve ser protegida”, afirmaram os signatários.
O ministro britânico do Exterior, Ed Miliband, disse que seu governo não poderia apenas denunciar o sofrimento e as injustiças. Para ele, a expansão dos assentamentos ameaça a possibilidade de criação de um Estado palestino. Miliband também afirmou que acredita estar ocorrendo uma limpeza étnica de palestinos em áreas da Cisjordânia.
Anita Anand, ministra do Exterior do Canadá, declarou que os assentamentos ilegais prejudicam a busca por uma paz de longo prazo e o atendimento das preocupações de segurança de Israel. A França citou a expansão dos assentamentos e a escalada da violência como razões para a medida.
As restrições comerciais têm alcance principalmente simbólico, porque os assentamentos representam uma parcela pequena das exportações israelenses. Entre os produtos estão tâmaras, frutas cítricas, ervas e vinho. O anúncio ocorreu no mesmo dia em que Israel divulgou planos para construir mil novas casas na Cisjordânia.
Reação de Israel e contexto diplomático
Saar afirmou que Jerusalém unificada é a capital de Israel e está sob sua soberania. Israel anexou Jerusalém Oriental depois de capturá-la na Guerra dos Seis Dias, em 1967. A maioria dos países, incluindo o Reino Unido, não reconhece a soberania israelense sobre toda a cidade.
O foco das preocupações internacionais também é o projeto de assentamento E1, próximo a Jerusalém. A área poderia dividir territórios que os palestinos reivindicam para um futuro Estado independente. As Nações Unidas, os palestinos e a maioria dos países consideram ilegais os assentamentos segundo o direito internacional, posição rejeitada por Israel.
Miliband anunciou que a legislação britânica entraria em vigor em seis a nove meses e informou sanções imediatas contra colonos extremistas acusados de apoiar atos de violência. Também anunciou medidas contra a instituição financeira Al-Qard Al-Hassan, ligada ao Hezbollah, e a reimposição de sanções econômicas ao Irã, em alinhamento com a União Europeia e os Estados Unidos.
As relações entre Israel e Reino Unido já vinham se deteriorando. Em 2024, Israel ordenou que o consulado da Espanha em Jerusalém suspendesse serviços consulares para palestinos após o reconhecimento do Estado palestino pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Em 2025, o Reino Unido reconheceu um Estado palestino junto a outros países e havia imposto sanções relacionadas aos assentamentos em junho.



