A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) avalia que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) aumenta a insegurança para quem empreende no Brasil, mas afirma que, até o momento, o cenário não alterou os investimentos do setor imobiliário. A entidade defende transparência na apuração dos fatos, rapidez e respeito ao direito de defesa.
A posição foi apresentada pelo presidente da associação, Luiz França. A Abrainc reúne as 90 maiores empresas do mercado imobiliário nacional, com vendas anuais em torno de R$ 71 bilhões, e aderiu ao “Manifesto à Nação Brasileira”, encabeçado pela Fiesp, que cobra providências do STF para enfrentar a crise institucional mencionada no documento.
“Obviamente, o cenário político gera uma insegurança para quem empreende”, afirmou França. Para ele, a apuração rápida é necessária diante da turbulência provocada pelos temas em discussão.
Investimentos e escala de trabalho
França disse que os lançamentos atuais ainda refletem decisões tomadas meses antes, envolvendo a compra de terrenos, a aprovação de projetos, as vendas e as obras. Por isso, a Abrainc não identificou postergação de investimentos até agora. O presidente afirmou, porém, que será necessário observar os efeitos da crise mais adiante para avaliar o comportamento do setor.
Entre as preocupações da associação está a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1. A entidade defende que a discussão seja adiada para depois das eleições, com análise detalhada das diferenças e consequências para os diversos setores.
Na avaliação de França, a mudança poderá elevar custos para as empresas e para os consumidores, caso seja necessário contratar trabalhadores para compensar a redução das horas trabalhadas. Na construção, a estimativa apresentada por ele é de aumento de 5,5% no preço dos imóveis.
Juros e crédito imobiliário
Para a agenda econômica do próximo governo, a Abrainc considera prioritários a redução do gasto público, o aumento da eficiência da máquina administrativa e o enfrentamento da situação fiscal e do crescimento da dívida pública. A expectativa é que essas medidas contribuam para a queda dos juros.
França afirmou que o endividamento prejudica pessoas e empresas e que a combinação entre juros elevados e apostas on-line reduz a capacidade de parte da população de comprar imóveis. Ainda assim, disse que o déficit de moradias mantém a demanda, sobretudo no segmento de baixa renda. O mercado, segundo ele, continua resiliente, principalmente dentro do Minha Casa, Minha Vida.
A faixa 4 do programa, criada em 2025 para pessoas com renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil, foi avaliada positivamente. A modalidade tem juros de TR + 10% ao ano, enquanto as taxas fora do programa estão acima de TR + 12% ao ano. Cada ponto porcentual de redução nos juros, segundo França, pode levar 1,3 milhão de potenciais compradores ao mercado.
A Abrainc também defende o adiamento do novo modelo de crédito imobiliário, que está em fase de testes em 2026 e terá vigência plena a partir de 2027. A entidade avalia que o sistema funcionará melhor com juros menores e propõe liberar uma parcela maior do depósito compulsório da poupança. A revisão da medida deve ser avaliada no final do ano.



