A inteligência artificial está ampliando a quantidade de sistemas, dados e identidades que precisam ser protegidos pelas empresas. O avanço de aplicações em nuvem, APIs e agentes autônomos aumenta a complexidade da infraestrutura digital e fortalece a demanda por soluções de cibersegurança.
O cenário também é marcado pelo crescimento dos ataques. Dados da Check Point Research indicam que as organizações brasileiras sofreram, em média, 4 mil ataques por semana em junho de 2026. O volume representa alta de 44% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segurança como parte da digitalização
A relação entre inteligência artificial e cibersegurança ocorre em duas frentes. De um lado, empresas adotam a tecnologia para buscar ganhos de produtividade e eficiência. De outro, precisam reforçar mecanismos de controle, proteção de informações e verificação de identidades à medida que ampliam o uso de sistemas capazes de processar dados, interagir entre si e executar tarefas com mais autonomia.
Os agentes autônomos podem acessar sistemas, dados e ferramentas para realizar atividades com menor intervenção humana. Ao mesmo tempo, recursos de IA podem ser usados por criminosos para acelerar e sofisticar ataques. Esse movimento cria uma disputa contínua entre o desenvolvimento de novas tecnologias e a proteção dos ambientes que as utilizam.
A segurança digital inclui ferramentas para redes e endpoints, proteção em nuvem, controle de identidade e acesso, segurança de dados, monitoramento, detecção e resposta a ameaças, além da proteção de aplicações. A necessidade de combinar essas soluções ajuda a explicar por que os gastos no setor tendem a ser mais resistentes a mudanças nas expectativas sobre outras tecnologias.
Fundo mira empresas do setor
O Safra lançou, no início de 2026, o Fundo Safra Segurança Digital – Cybersecurity, com exposição indireta a empresas relacionadas à cibersegurança. Nos primeiros seis meses, o fundo acumulou rentabilidade superior a 700% do CDI.
A instituição afirma, porém, que a tese não depende apenas do desempenho de curto prazo. A proposta considera que os investimentos em proteção devem acompanhar a digitalização da economia, especialmente quando a adoção de IA amplia a superfície tecnológica das organizações.
O mercado também apresenta possibilidade de consolidação. Segundo dados do Safra, uma empresa usa, em média, 83 ferramentas de segurança fornecidas por cerca de 29 fornecedores. Companhias com escala e capacidade de reunir diferentes soluções podem ganhar espaço nesse ambiente.
Investir em cibersegurança não equivale a fazer uma segunda aposta na inteligência artificial. Os mercados estão relacionados, mas podem reagir de forma diferente a uma nova tecnologia, a um modelo mais barato ou a mudanças na percepção sobre o potencial da IA. O Safra observou, nos primeiros meses de operação, baixa correlação entre o fundo de segurança digital e fundos voltados ao ecossistema geral de inteligência artificial, como o Fundo Safra Inteligência Artificial.
A estratégia é apresentada como uma alocação temática de médio e longo prazo, sujeita aos riscos e à volatilidade dos investimentos em renda variável. A gestão ativa inclui o acompanhamento das empresas por uma equipe de pesquisa dedicada, que avalia a capacidade de transformar investimentos em tecnologia em resultados.
O Conglomerado também mantém equipes voltadas à pesquisa de novas tecnologias, à identificação de gargalos e à avaliação de oportunidades relacionadas ao desenvolvimento da inteligência artificial e das indústrias que surgem ao redor dela.



