BRASÍLIA — As expectativas para a taxa Selic permaneceram estáveis no relatório Focus, enquanto o mercado revisou marginalmente as projeções para a inflação e o crescimento da economia. A previsão para o juro no fim de 2026 ficou em 13,75% pela quinta semana seguida. Para 2027, a estimativa continuou em 12,00% pela 12ª semana consecutiva.
A mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,50% pela 10ª semana seguida, e a de 2029 continuou em 10,00% pela 18ª semana consecutiva. Entre as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa para o fim deste ano também ficou em 13,75%, com base em 37 estimativas. Para 2027, foram consideradas 36 projeções, igualmente sem alteração, em 12,00%.
Inflação e decisões do Copom
A projeção mediana para o IPCA de 2026 passou de 5,01% para 5,00%. O resultado está 0,50 ponto porcentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. No recorte das 44 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, porém, a previsão subiu de 4,98% para 5,01%.
Para 2027, a estimativa avançou de 4,28% para 4,29%; um mês antes, estava em 4,22%. Entre as projeções mais recentes, a mediana caiu de 4,26% para 4,25%. A inflação esperada para 2028 ficou em 3,80% pela sexta semana seguida. Para 2029, permaneceu em 3,50% pela 53ª semana consecutiva.
No início de agosto, o Banco Central reduziu de 5,2% para 5,1% sua projeção para o IPCA de 2026 e de 3,7% para 3,8% a estimativa para 2027. O Copom manteve em 3,2% a previsão para a inflação acumulada em 12 meses no 1º trimestre de 2028, período que passou a ser o horizonte relevante da política monetária na reunião.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, calculada pelo IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. O Banco Central considera que perdeu o alvo caso a inflação fique fora desse intervalo por seis meses consecutivos.
No início de agosto, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo. Desde março, os juros acumulam queda de um ponto porcentual, quando o Banco Central iniciou um “ciclo de calibração” diante das incertezas sobre os efeitos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, nos preços de commodities e na inflação.
Na ata, o colegiado afirmou que o cenário exige “serenidade e cautela na condução da política monetária” e que continuará acompanhando novas informações para manter a restrição necessária à convergência da inflação para a meta.
PIB e câmbio
A mediana do Focus para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 subiu de 1,92% para 1,93%. Um mês antes, era de 1,98%. No grupo das 32 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, entretanto, a estimativa recuou de 1,91% para 1,89%. A previsão do mercado ficou abaixo da estimativa do Banco Central, de 2,0%, apresentada no Relatório de Política Monetária do segundo trimestre.
Para 2027, o crescimento esperado permaneceu em 1,50% pela terceira semana seguida; um mês antes, era de 1,52%. No recorte mais recente, a mediana caiu de 1,56% para 1,52%. Para 2028, a previsão recuou de 1,98% para 1,96%, ante 2,00% há um mês. A estimativa para 2029 ficou em 2,00% pela 77ª semana seguida.
O dólar foi projetado em R$ 5,20 no fim de 2026 pela 12ª semana consecutiva. Para 2027, a mediana continuou em R$ 5,30, contra R$ 5,28 quatro semanas antes. A previsão para 2028 seguiu em R$ 5,30 pela 7ª semana seguida. Para 2029, passou de R$ 5,36 para R$ 5,35; há um mês, estava em R$ 5,37. No Focus, a projeção anual considera a média da cotação em dezembro, e não o valor do último dia útil do ano.



