A BrasilAgro encerrou o ano fiscal de 2026 com prejuízo líquido de R$ 90 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 138 milhões registrado no período anterior. O resultado corresponde à safra 2025/26, realizada de julho de 2025 a junho de 2026.
A receita líquida caiu 20% na comparação anual e ficou em R$ 895,7 milhões. O Ebitda ajustado recuou 63%, para R$ 99,3 milhões. No quarto trimestre fiscal, entre abril e junho, a empresa teve prejuízo líquido de R$ 13,9 milhões, ante lucro de R$ 61,3 milhões no mesmo intervalo do ano anterior.
A companhia também não vendeu fazendas no trimestre. Em igual período de 2025, essas operações haviam gerado receita de R$ 111,99 milhões. A BrasilAgro informou que adotou maior rigor na análise de potenciais compradores diante do endividamento do setor.
Cana e desempenho trimestral
A colheita de cana-de-açúcar caiu para 273,7 mil toneladas, contra 585,4 mil toneladas um ano antes. Gustavo Lopez, diretor financeiro da empresa, afirmou que a redução tentou limitar a oferta durante um período de preços baixos do açúcar e do etanol. Cerca de 280 mil toneladas foram deixadas para os meses seguintes.
A receita líquida do trimestre recuou 20%, para R$ 289,5 milhões. O Ebitda ajustado totalizou R$ 56,6 milhões, queda de 21% em relação ao ano anterior. O indicador considera as vendas de fazendas.
“Temos como modelo de negócio fazer esse ganho imobiliário e não conseguimos realizá-lo”, disse Lopez sobre o quarto trimestre de 2026.
Projeções para a safra seguinte
Para a safra 2026/27, a BrasilAgro antecipou a compra de insumos, aproveitando preços inferiores aos atuais, e pretende ampliar o uso de sementes próprias para amenizar a alta de custos, segundo o CEO André Guillaumon.
A empresa prevê reduzir em 1% a área plantada total, para 165,208 mil hectares, considerando os impactos esperados do El Niño em cada região onde atua. Mesmo com a redução, projeta elevar a produção em 9%, para 452,9 milhões de toneladas. As produções de algodão e cana não devem crescer.
Guillaumon afirmou que a venda de terras deve ser retomada nos próximos trimestres e é um objetivo para 2027. Ele citou a existência de “bolsões de liquidez” na Bahia, no Maranhão, no Piauí e no Paraguai.



