A execução das políticas ambientais e econômicas deverá ser uma das principais cobranças aos candidatos à Presidência em 2026, de acordo com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). A entidade defende que o próximo governo apresente, nos primeiros 100 dias, metas concretas, instrumentos de implementação e fontes de recursos para transformar o potencial ambiental e energético do Brasil em desenvolvimento econômico.
A Carta aos Presidenciáveis de 2026 está organizada em três eixos e reúne 11 propostas: proteção e restauração da natureza, aceleração da economia verde e financiamento da transformação. O documento propõe tratar a transição energética como política de Estado e integrar diferentes áreas da administração pública.
O papel dos recursos naturais
Entre as medidas apresentadas estão o combate ao desmatamento ilegal, a recuperação de áreas degradadas, a valorização de produtores que preservam a natureza e o fortalecimento da agricultura regenerativa e da segurança hídrica. O CEBDS também defende que os biomas passem a ser valorizados do ponto de vista econômico.
A entidade considera que os milhões de hectares que aguardam restauração formam um dos principais ativos ambientais do país. A remuneração de produtores que conservam áreas e desenvolvem projetos voltados à segurança hídrica e à agricultura regenerativa é apontada como parte de políticas públicas para elevar a competitividade.
Para Marina Grossi, presidente do CEBDS, o Brasil precisa avançar além da exportação de commodities e gerar valor a partir de soluções climáticas. “Essa não pode ser uma agenda de governo, mas de Estado”, afirmou.
Indústria e financiamento
Na agenda econômica, o Conselho propõe uma nova etapa de industrialização baseada em energia limpa, biocombustíveis, biodiversidade e minerais críticos. A expectativa é consolidar cadeias produtivas capazes de atrair investimentos, elevar a produtividade e gerar empregos e renda.
O documento também sugere avaliar como recursos da economia atual podem financiar atividades de baixo carbono. O petróleo é citado como exemplo desse debate: em vez de uma escolha entre abandonar imediatamente os combustíveis fósseis ou ignorar a transição, a proposta é discutir como a riqueza da economia tradicional pode apoiar a nova indústria.
Marina Grossi afirma que acelerar a economia verde envolve qualificação, pesquisa e desenvolvimento, eficiência energética e financiamento. A Carta ainda reforça a necessidade de segurança jurídica, previsibilidade regulatória e planejamento de longo prazo para que projetos de energia limpa e outras atividades sustentáveis ganhem escala.
Histórico das propostas
A iniciativa chega à quarta edição em 2026. A primeira Agenda por um País Sustentável foi lançada pelo CEBDS em 2014, com 22 propostas. Em 2018, foram apresentadas dez medidas sobre eficiência energética, redução de emissões, saneamento e uso da água. Em 2022, a agenda trouxe 12 linhas de ação, incluindo combate ao desmatamento, mercado de carbono, transição energética, redução das desigualdades e inovação.
Segundo a avaliação da entidade, 54% das recomendações de 2022 foram implementadas total ou parcialmente pelo poder público. O CEBDS reúne atualmente mais de 110 empresas associadas, responsáveis por cerca de um terço do PIB brasileiro.
Um dos avanços citados é a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Defendido pelo Conselho antes de 2022, o sistema foi criado por lei aprovada pelo Congresso em 2024, estabelecendo as bases para um mercado regulado de carbono no país.
A entidade atua desde 1997 na construção de soluções para desafios socioambientais, com foco na crise climática, na conservação da natureza e no desenvolvimento social. O Conselho articula empresas, governos e sociedade civil, além de produzir conhecimento e ferramentas para apoiar decisões de lideranças de diferentes setores.



