Belo Horizonte, Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
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Menos crédito já contratado amplia incertezas para a produção agrícola, diz Farsul

Dados do Banco Central mostram recuo no financiamento rural e maior retração nas lavouras do Rio Grande do Sul.

Menos crédito já contratado amplia incertezas para a produção agrícola, diz Farsul

A retração do crédito rural foi mais intensa no Rio Grande do Sul do que na média brasileira, com queda de 29,3% na área financiada. O valor liberado no estado diminuiu 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, enquanto o número de contratos recuou 16,4%, para 189,6 mil. Os dados são do Banco Central e foram compilados pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).

Entre as principais lavouras gaúchas, as contratações destinadas ao trigo caíram 52%; as de arroz, 32,2%; e as de soja, 35,2%. As retrações ficaram acima das médias nacionais para essas culturas, conforme alerta da Farsul.

No país, a área produtiva atendida pelas linhas tradicionais de custeio do Plano Safra passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões em julho deste ano, uma redução de quase 26% em 12 meses. No mesmo intervalo, o crédito rural sem títulos como as Cédulas de Produto Rural (CPRs) caiu 12%, para R$ 181,1 bilhões. O total de contratos diminuiu 10,3%, chegando a 777,8 mil.

Efeitos esperados na próxima safra

A Farsul afirmou, em nota técnica, que a redução do financiamento preocupa porque a safra 2026/27 começará a ser plantada agora. Para a entidade, os reflexos podem atingir o Produto Interno Bruto (PIB), a inflação de alimentos e a balança comercial.

A federação avaliou que os indicadores ainda não mostram toda a dimensão da restrição porque parte das lavouras atuais foi plantada e financiada antes do agravamento mais recente da crise de crédito. Na avaliação da entidade, a menor oferta de financiamento pode aparecer com atraso na produção, no saldo comercial, no câmbio e nos preços dos alimentos.

A Farsul também apontou risco de reversão do alívio observado nos preços caso a redução do crédito resulte em menor área plantada e produtividade mais baixa nas safras seguintes. Segundo a entidade, esse efeito teria peso proporcionalmente maior no orçamento das famílias de menor renda.

Regra bancária e alternativas

A entidade relacionou a maior seletividade dos bancos à resolução 4.966/2021, do Banco Central, que entrou em vigor em janeiro de 2026 e estabeleceu critérios de provisionamento para possíveis perdas. A norma exige que as instituições classifiquem as operações conforme o estágio de risco, o que pode elevar a cautela em carteiras com atrasos, prorrogações ou renegociações recentes.

No Rio Grande do Sul, a Farsul associou a retração aos juros básicos ainda altos, à deterioração da carteira de crédito rural e à Resolução CMN 4.966. Instrumentos privados do agronegócio estão em expansão, mas, segundo a entidade, não substituem integralmente o crédito bancário tradicional e seguem como alternativa restrita para médios e pequenos produtores.

O estoque de CPRs somava R$ 576,4 bilhões em junho de 2026, alta de 12% em 12 meses. As emissões na safra 2025/26 totalizaram R$ 377,8 bilhões. No mesmo período de comparação, os saldos de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 9% e 81% em dois anos, respectivamente.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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