O pedido de investigação sobre fatos envolvendo autoridades ganhou apoio de entidades empresariais, executivos e ex-integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). As manifestações também mencionam a relação da Corte com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e defendem medidas de transparência e integridade institucional.
Na noite de domingo, 6, dez ex-presidentes do STF e três ministros aposentados enviaram uma carta ao presidente do tribunal, Edson Fachin. O documento alertou para fatos cuja divulgação, segundo os signatários, vem afetando o prestígio e a autoridade da Corte, além da confiança da população e da estabilidade das instituições democráticas.
Walter Schalka, integrante do conselho de administração da Suzano, afirmou que Fachin deve adotar providências sobre a proximidade entre o STF e Vorcaro. Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho de administração da empresa de eletroeletrônicos Multi, havia feito solicitação semelhante na semana passada.
Manifesto do setor empresarial
O ICC Brasil, braço nacional da Câmara de Comércio Internacional e organização com cerca de 200 associados no país, divulgou um manifesto nesta terça-feira, 8. A entidade sustenta que ética e integridade são necessárias para a segurança jurídica, a atração de investimentos e a previsibilidade das relações comerciais.
O texto afirma que a confiança na governança exercida por órgãos reguladores, agências setoriais, autoridades monetárias, instituições do mercado de capitais e pelo Judiciário é essencial para a competitividade. O ICC Brasil pede que os fatos sejam examinados com rigor e imparcialidade pelos canais institucionais competentes e convoca empresas, órgãos públicos e sociedade civil a reafirmarem compromissos com ética, transparência e boa governança.
Propostas do segundo documento
Outro manifesto, organizado por empresários, banqueiros e economistas, começou a circular em busca de assinaturas. O documento retoma uma mobilização de dezembro passado, que defendia um Código de Conduta para o STF, e afirma que os acontecimentos divulgados recentemente indicam um problema mais amplo nas instituições.
Os organizadores dizem que as menções alcançam ministros do Supremo, comandos da Polícia Federal e do Ministério Público, o Congresso Nacional e pessoas próximas dos presidentes da República, atual e anterior. O grupo pede investigação completa, rápida e independente, com respeito ao devido processo legal.
Entre as medidas propostas estão o afastamento cautelar de pessoas que sejam formalmente investigadas e a criação de um código de conduta obrigatório para cortes superiores e órgãos de investigação e acusação. Os signatários afirmam que a iniciativa não é dirigida contra indivíduos, mas à defesa das instituições.



