Walter Schalka, membro do conselho de administração da Suzano, afirmou que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deve adotar medidas rápidas diante da troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Para Schalka, a resposta da Corte é necessária para demonstrar que ninguém está acima da lei e evitar uma deterioração ainda maior da confiança nos três Poderes.
“Tem a obrigação, não o direito, de tomar medidas de forma célere”, disse Schalka ao defender uma atuação de Fachin. Na avaliação dele, a crise também cria incertezas para empresários e investidores que precisam recorrer à Justiça.
Medidas defendidas para o caso
Schalka propôs o afastamento cautelar do procurador-geral da República, Paulo Gonet, da investigação sobre o caso. Também defendeu que Alexandre de Moraes e Toffoli sejam impedidos de participar do julgamento, para evitar que o STF fique sob suspeita.
Ele criticou ainda a possibilidade de envolver o ministro Mendonça em uma estratégia que o impeça de votar. Para Schalka, o Supremo precisa explicar à sociedade como pretende recuperar sua credibilidade. O conselheiro afirmou que não está pré-julgando ninguém, mas defendeu o afastamento caso sejam confirmadas irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Na entrevista, Schalka disse que a corrupção, antes associada principalmente ao Executivo e ao Legislativo, também atingiu o Judiciário. Segundo ele, isso fragiliza a última instituição em que os brasileiros ainda mantinham confiança e afeta a segurança de empresários.
Ele citou Mensalão, Petrolão, fraude do INSS e Banco Master como exemplos de uma sequência de problemas que, em sua avaliação, provoca perda de confiança no Estado. Ao comentar o Petrolão, afirmou que não se deve permitir que questões formais se sobreponham à essência das apurações.
Schalka também mencionou a participação de integrantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário no caso do Banco Master. Disse haver dois ministros do STF envolvidos em situações distintas: um relacionado ao resort Tayayá e outro cuja esposa teria recebido contrato de centenas de milhões de reais e prestaria consultoria pessoal a Vorcaro.
Defesa de manifestações
O conselheiro afirmou que empresários e a sociedade precisam se posicionar por meio dos mecanismos jurídicos adequados e não descartar manifestações nas ruas. Para ele, a mobilização não deve ser tratada como uma disputa eleitoral, porque o caso envolveria pessoas da esquerda e da direita.
Schalka disse esperar manifestações além do setor empresarial e citou o Renova BR como grupo que já se posiciona. Também afirmou que as ações precisam ocorrer rapidamente e que, se não forem suficientes, novas mobilizações deverão ser realizadas.
Ao falar sobre o ambiente eleitoral, Schalka lamentou que a taxa de rejeição seja o principal índice acompanhado. Em vez disso, defendeu discussões sobre propostas, qualidade de vida, esperança, oportunidades, empregos e os efeitos da transformação tecnológica na sociedade.



