Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Empresas reduzem produção enquanto mercado financeiro cobra contas públicas sob controle

Executivos relatam crise entre clientes, defendem ajuste fiscal e adotam estratégias de curto prazo diante da volatilidade eleitoral de 2026.

Empresas reduzem produção enquanto mercado financeiro cobra contas públicas sob controle
Foto: Wilton Junior/Estadão/Estadão

Empresas atendidas por instituições financeiras estão reduzindo a produção por falta de recursos para manter máquinas e equipamentos, segundo relatos de executivos do setor. Pedidos de recuperação judicial em grandes companhias também vêm afetando fornecedores menores, em um efeito em cadeia apontado por profissionais que atuam com reestruturação de dívidas, captação de recursos, fusões e aquisições.

A avaliação compartilhada pelos entrevistados é que as contas do governo precisam ser ajustadas à arrecadação. Na visão deles, a persistência de gastos acima das receitas mantém a pressão sobre a inflação e dificulta a redução da taxa básica de juros, a Selic. A taxa, usada pelo Banco Central para conter a alta de preços, também reduz a circulação de dinheiro e afeta os negócios e o crescimento.

“A economia não aguenta mais um ano com os juros reais nesse nível”, afirmou Daniel Wainstein, co-CEO do Seneca Evercore, que criou o Banco Seneca. Para ele, a situação pode se tornar insustentável com o aumento do desemprego.

Investimentos mais defensivos

Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Vida, Previdência e Investimentos, considera provável algum ajuste nas contas públicas, mas prevê diferenças na intensidade das medidas conforme o resultado das eleições. A gestora passou a priorizar liquidez rápida e segurança, em vez de concentrar os investimentos no longo prazo, como forma de proteger o patrimônio dos clientes da volatilidade.

Ricardo Lacerda, CEO do banco de investimentos BR Partners, disse que a ausência de uma redução dos juros pode levar o país a discutir calote da dívida pública e inflação. Ele acompanha Ronaldo Caiado em sua movimentação eleitoral e é o único entre os entrevistados que declarou proximidade com um candidato.

A maior parte dos executivos também criticou as propostas apresentadas nas discussões eleitorais. Rodolfo Reichert, CEO da Genial Investimentos, afirmou que os planos se concentram em emergências e não definem um projeto de longo prazo para o país.

Nenhum dos entrevistados declarou apoio explícito à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva ou à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Walter Maciel, CEO da AZ Quest, considera possível uma vitória de Flávio no primeiro turno. Com 225 mil seguidores no Instagram, ele também avalia que um ajuste fiscal poderia produzir efeito semelhante ao Plano Real. Maciel estima que, com os juros em 7%, o poder de compra aumentaria.

Apesar do diagnóstico de baixo crescimento, os executivos afirmam que seus negócios avançaram durante o último governo. Eles atribuem o resultado ao reposicionamento das próprias instituições diante das tendências do mercado, e não a uma expansão geral da economia.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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