A Petrobras elevou para US$ 17 bilhões os investimentos em exploração e produção (E&P) em 2025, ano em que teve início a exploração na bacia da Foz do Amazonas. O movimento sinaliza a retomada de aportes em novas fronteiras, cuja maturação é longa e envolve riscos elevados, mas que podem contribuir para a reposição de reservas e a sustentação da cadeia de petróleo e gás.
A presidente da companhia, Magda Chambriard, considera a Margem Equatorial relevante para o futuro da estatal e aposta em descobertas importantes na região à medida que a exploração do pré-sal entrar em declínio. Para ela, o pré-sal é um caso singular, mas a nova fronteira terá papel importante no abastecimento e na manutenção das atividades do setor.
A trajetória do pré-sal começou após uma decisão tomada pelo Brasil há 50 anos: direcionar recursos e desenvolver tecnologia para diminuir a dependência externa de petróleo. A Petrobras encontrou a província em 2006. A produção resultante ampliou as reservas de óleo e gás, reforçou a segurança energética, aumentou a arrecadação pública e estimulou a indústria, a inovação e a economia nacional nos anos 2000.
O primeiro poço do pré-sal exigiu cerca de US$ 240 milhões. Para tornar possível a exploração em águas ultraprofundas, a Petrobras aumentou os investimentos em E&P de uma média anual de US$ 1,7 bilhão nos anos 1990 para US$ 19,5 bilhões nos anos 2010.
A capacidade de investimento da empresa foi afetada, a partir de 2014, pela crise das commodities e pela Operação Lava Jato, que também ampliaram seu endividamento. Entre 2016 e 2022, privatizações, cortes de investimentos e alterações regulatórias contribuíram para a desnacionalização das reservas. Nesse período, a venda de 266 ativos desfez parte da integração vertical da estatal.
Para Ticiana Alvares e Mahatma Ramos, diretores técnicos do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep), a Petrobras não deve ser avaliada somente por resultados financeiros imediatos. Na análise dos especialistas, projetos estruturais precisam combinar planejamento estratégico, regulação, política industrial, capacidade de investimento e retorno econômico.
Eles também defendem que a atuação na Margem Equatorial considere segurança energética, autonomia em insumos estratégicos, desenvolvimento industrial, inovação, empregos, renda e avanços em tecnologias de baixo carbono, descarbonização, eficiência energética e sustentabilidade.



