DÜLMEN — A Yara pretende ampliar sua atuação em biofertilizantes e mantém aberta a possibilidade de comprar empresas especializadas no segmento. Por enquanto, a estratégia da companhia norueguesa é desenvolver os negócios internamente, enquanto procura um parceiro com portfólio adequado.
O plano foi apresentado por Luis Torres, vice-presidente de agronomia e pesquisa e desenvolvimento da Yara, durante visita ao centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa em Dülmen, na Alemanha. A unidade abriga o novo laboratório de biológicos da companhia, inaugurado no início do ano após investimento de 1,5 milhão.
Na classificação da Yara, os produtos biológicos incluem itens não minerais, como enzimas e produtos microbianos. Essa categoria responde atualmente por cerca de 5% das vendas da empresa, que registrou receita de 15,7 bilhões no ano passado.
Desenvolvimento e parcerias
A companhia considera o segmento estratégico porque ele cresce entre 10% e 20% ao ano e apresenta margens superiores às dos fertilizantes convencionais. Para Torres, apesar de ainda ser pequeno dentro da escala da Yara, o negócio contribui para a rentabilidade da empresa.
A Yara também mantém parcerias com centros de pesquisa em vários países, incluindo o Brasil. Esses parceiros testam localmente as soluções desenvolvidas na Alemanha. A previsão é investir 6 milhões neste ano em acordos voltados ao desenvolvimento de produtos, além da avaliação e validação de tecnologias já existentes.
Segundo Torres, os testes são necessários porque as condições de cada mercado podem exigir respostas que não aparecem em dados globais. Os investimentos em parcerias ganharam espaço na Yara nos últimos cinco anos.
A área de biológicos concentra esforços no desenvolvimento dos primeiros bioestimulantes vivos. O trabalho envolve identificar microrganismos com melhor desempenho para as plantas e estabilizá-los para garantir ao menos dois anos de prateleira. Jonas Ruhe, diretor de pesquisa e desenvolvimento de nutrição vegetal e produtos biológicos, afirmou que outro desafio é combinar insumos biológicos e convencionais em recomendações de aplicação para produtores rurais.
A expectativa é que os primeiros bioestimulantes vivos sejam lançados em 2029, dependendo dos processos regulatórios de cada país. Atualmente, os produtos estão em testes em campos experimentais.
A Yara dispõe de mais de 100 formulações de nutrientes biológicos e 11 formulações de bioestimulantes. Entre os desenvolvimentos recentes está um bioestimulante foliar para aumentar a eficiência da absorção de cálcio pelas plantas, voltado à produção de frutas de mesa. O produto ainda aguarda aprovação.
O centro de pesquisa também desenvolve novas composições de fertilizantes minerais. Luis Torres afirmou que dificuldades financeiras dos produtores têm limitado a adoção de algumas tecnologias. Segundo ele, a expansão dessas inovações dependerá do benefício financeiro percebido pelos produtores.



