SÃO PAULO — A gravação em que André Mendonça defende a libertação de pessoas sequestradas pelo Hamas foi registrada durante um culto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros. O vídeo voltou a circular como se fosse uma declaração recente do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mas foi exibido pela CNN Brasil em 19 de fevereiro de 2024.
Na ocasião, Mendonça criticou a posição do governo brasileiro no conflito entre Israel e Hamas. A manifestação ocorreu horas depois de Luiz Inácio Lula da Silva comparar ao Holocausto os ataques de Israel à Faixa de Gaza. O ministro não citou diretamente o presidente.
No trecho compartilhado, Mendonça afirma que “o erro maior é apoiar um grupo terrorista que mata crianças, jovens e idosos gratuitamente”. A fala fazia referência ao episódio de 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou o sul de Israel e sequestrou israelenses.
Como o conteúdo circulou
A publicação viral foi feita por uma página apoiadora de Lula no Instagram. O responsável pela postagem foi procurado, mas não respondeu.
A gravação foi apresentada no dia seguinte ao programa CNN 360, que tratou da repercussão da declaração no meio político. A postagem que recuperou as imagens afirma que Mendonça teria acusado Lula de defender o Hamas e sugere que a fala poderia ser usada pelos Estados Unidos para justificar uma ação militar contra o Brasil.
Essa associação também mistura períodos diferentes. Na data do vídeo, Donald Trump não era presidente dos Estados Unidos. O governo americano iniciou, na gestão dele, começada em janeiro de 2025, uma série de ofensivas contra o Brasil, com aplicação de tarifas e sanções a autoridades.



