SÃO PAULO — O encontro entre o ministro André Mendonça e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ocorreu em 14 de março de 2025, na capital paulista, um dia antes de Mendonça interromper, com pedido de vista, o julgamento de uma medida de Flávio Dino sobre tarifas de concessionárias de cemitérios. O episódio foi citado por Dino em decisão encaminhada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
A determinação, tomada nesta segunda-feira (15), prevê que o documento seja anexado ao procedimento que examina condutas de Mendonça. Dino defendeu que os fatos sejam apurados com autorização do plenário do Supremo e respeito ao direito de manifestação e de defesa dos envolvidos.
Relação com o julgamento
A decisão foi proferida na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1.196, relatada por Dino. A ação trata da prestação de serviços funerários, cemiteriais e de cremação em São Paulo. Para o ministro, os acontecimentos podem interferir na análise sobre a concessão desses serviços.
Mendonça confirmou que recebeu Vorcaro na sede de uma empresa privada. Dino mencionou “elevados interesses” de fundos administrados pelo Banco Master em assuntos ligados à privatização dos cemitérios.
O ministro também registrou que Mendonça disse, em entrevista publicada neste mês, ter recebido Vorcaro a pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha, por intermédio do deputado Cezinha Madureira. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era ligado à igreja e ocupava cargo diretivo na Cortel, concessionária de cemitérios em São Paulo.



