BRASÍLIA — Luiz Inácio Lula da Silva passou a defender a quebra total do sigilo das investigações relacionadas ao caso Banco Master, inclusive quando a medida pode atingir o ministro Alexandre de Moraes. A mudança ocorreu nesta quarta-feira, 9, após o presidente ouvir conselheiros políticos e do meio jurídico em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
A posição do governo é que as decisões de Edson Fachin, presidente do STF, são necessárias para conter o conflito entre ministros. Fachin assumiu a condução do inquérito das fake news, que estava desde 2019 sob responsabilidade de Moraes. A possibilidade havia sido comunicada a Lula em duas conversas recentes.
Fachin também informou que poderia retirar de André Mendonça as relatorias dos processos do Banco Master e dos desvios das aposentadorias do INSS. O ministro ainda não assumiu os dois casos. Mesmo assim, suspendeu a decisão de Mendonça que afastava do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Além disso, Fachin marcou uma sessão extraordinária do STF para terça-feira, 15. Na reunião, deverá ser analisado o pedido de Mendonça para que Moraes seja investigado.
A crise se agravou depois da descoberta de uma longa troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Desde então, Lula começou a perder pontos nas pesquisas de intenção de voto. Os últimos levantamentos indicaram empate técnico entre o presidente e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, em simulações de segundo turno.
Monitoramentos do Planalto nas redes sociais também apontaram que eleitores associam Moraes a Lula. Essa percepção estaria ligada à atuação do ministro após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe do 8 de Janeiro e à proximidade de Moraes com o governo.
Enquanto Lula passou a sustentar a divulgação integral dos inquéritos, coordenadores da campanha petista intensificaram os ataques a Flávio Bolsonaro e a André Mendonça. Integrantes do grupo de campanha acusaram Mendonça de promover “vazamentos seletivos” para favorecer o senador.
O argumento apresentado pelos petistas é que Mendonça adotaria critérios diferentes no caso Master e não cobraria explicações de Flávio sobre os R$ 134 milhões pedidos a Vorcaro para financiar Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.



