A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da vacina MenQuadfi em bebês a partir de 6 semanas de vida. O imunizante é uma vacina meningocócica conjugada ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y da bactéria Neisseria meningitidis, associada a casos de doença meningocócica, incluindo meningite.
A mudança amplia a faixa etária autorizada para a vacina no Brasil, mas não altera o calendário de vacinação oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão também não incorpora automaticamente a MenQuadfi ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Na prática, a nova indicação amplia as possibilidades de uso do produto, principalmente na rede privada.
O que muda para os bebês
A MenQuadfi já podia ser utilizada no mercado privado por pessoas a partir de 12 meses. Com a autorização, passou a ser indicada também para crianças mais novas, desde 6 semanas de vida. A aplicação é intramuscular e o imunizante pertence ao grupo das vacinas meningocócicas conjugadas.
A análise da Anvisa considerou dados de segurança de 6.060 bebês com idade entre 6 semanas e menos de 12 meses. Eles receberam pelo menos uma dose da vacina em diferentes esquemas. Também foram avaliadas 5.373 crianças que receberam uma dose de reforço a partir de 1 ano de idade.
De acordo com a agência, os resultados mostraram um perfil de segurança compatível com o esperado para vacinas meningocócicas conjugadas, sem novas preocupações relevantes identificadas.
A autorização regulatória não significa que os bebês passarão a receber automaticamente a MenQuadfi pelo SUS. A Anvisa avalia e autoriza medicamentos e vacinas com base em critérios como segurança, qualidade e eficácia. Já a inclusão de um imunizante no calendário público depende de outras etapas e decisões do sistema de saúde.
Como funciona o calendário público
Atualmente, o Ministério da Saúde prevê duas doses da vacina meningocócica C para bebês, aos 3 e aos 5 meses de idade. Aos 12 meses, o reforço é feito preferencialmente com a vacina meningocócica ACWY, que amplia a proteção para os sorogrupos A, C, W e Y. A ACWY substituiu a meningocócica C no reforço de 1 ano em julho de 2025.
O calendário também prevê a vacina meningocócica ACWY para adolescentes entre 11 e 14 anos. Nenhuma dessas etapas foi modificada pela autorização da MenQuadfi.
Na rede privada, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta preferencialmente o uso da vacina meningocócica ACWY já no primeiro ano de vida, com doses aos 3 e 5 meses e reforço aos 12 meses. A MenQuadfi não é a única vacina ACWY com indicação pediátrica no país.
Risco da doença meningocócica
A Neisseria meningitidis pode colonizar o trato respiratório sem causar sintomas e ser transmitida por secreções respiratórias. Em alguns casos, a bactéria invade o organismo e chega à corrente sanguínea, provocando doença meningocócica invasiva.
As manifestações incluem meningite e meningococcemia, quando a bactéria atinge o sangue. Esses quadros podem evoluir rapidamente e exigem atendimento médico imediato. Bebês e crianças pequenas, especialmente no primeiro ano de vida, estão entre os grupos mais vulneráveis às formas graves.
A doença meningocócica invasiva tem letalidade em torno de 10%, mesmo com tratamento adequado. Entre os sobreviventes, até 20% podem desenvolver sequelas permanentes e incapacitantes.
A ampliação da indicação não significa que as crianças estejam com doses atrasadas ou que seja necessário procurar os postos de saúde para receber uma nova vacina. A orientação é manter a caderneta atualizada e seguir o esquema da rede pública ou privada em que a vacinação é realizada. Em caso de dúvida sobre complementação na rede particular, o pediatra pode avaliar o histórico vacinal e orientar a família.



