NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, nesta terça-feira, 22, o discurso de abertura da Assembleia da ONU pela décima vez. A fala combinou críticas à organização, referências à própria trajetória política, mensagens dirigidas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defesas da democracia, das mulheres e dos palestinos.
Críticas à ONU e guerras
Lula afirmou que a credibilidade das Nações Unidas nunca esteve tão baixa e criticou o Conselho de Segurança por não cumprir seu papel diante dos conflitos. Para o presidente, a organização estaria falhando na missão de livrar a humanidade da guerra.
Ele também mencionou o poder de veto das grandes potências e disse que a ONU enfrenta uma crise de liderança. Na sequência, chamou de genocídio os atos liderados pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra os palestinos. A guerra entre Rússia e Ucrânia e o conflito envolvendo o Irã também foram citados.
O presidente defendeu ainda Francesca Albanesa, relatora especial das Nações Unidas. Ela foi alvo de ataques e ameaças depois de afirmar que as ações de Israel contra os palestinos seriam genocídio. Lula disse que ela não pode ser silenciada por dizer a verdade.
Mensagens aos Estados Unidos
O discurso incluiu recados a Donald Trump. Ao falar sobre a soberania brasileira, Lula declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, frase que provocou aplausos na Assembleia. Ele também citou o Pix e afirmou que o país não cederá às pressões de multinacionais interessadas em privatizar o meio de pagamento.
Ao tratar do combate às organizações criminosas, Lula defendeu que o Brasil não terceirize a responsabilidade pela proteção das fronteiras e da população. O presidente afirmou que não são necessários porta-aviões vigiando as águas brasileiras, mas cooperação para interromper o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime.
Referências ao Brasil
Em um discurso de pouco mais de 20 minutos, Lula mencionou cinco vezes a palavra democracia. Nas falas finais, relacionou o tema às eleições presidenciais do próximo dia 4 e afirmou que a vontade popular deve ser protegida.
O presidente também citou temas internos, como o fim da escala 6x1, defendido por seu governo, e as bets, que já haviam sido criticadas por ele em ações de campanha. Ao falar de sua trajetória, lembrou a luta contra a ditadura militar, a defesa do país contra um golpe de Estado, as três eleições para a Presidência e a retirada do Brasil do Mapa da Fome.
Aplausos e tradições
A plateia interrompeu o discurso com quatro salvas de palmas. A primeira ocorreu depois de Lula elogiar o reconhecimento, pela ONU, do tráfico de escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. A segunda veio quando ele defendeu Francesca Albanesa. A terceira acompanhou a frase sobre o Brasil não caber no quintal de ninguém, e a quarta ocorreu no encerramento.
Lula usou novamente a gravata considerada de sorte, com fundo azul-marinho e listras verdes, amarelas e brancas. O acessório foi usado pela primeira vez em 2008 e costuma acompanhá-lo em agendas internacionais e compromissos relevantes. A primeira ocasião teria sido durante sua passagem por Pequim, nas Olimpíadas.
A primeira-dama Janja da Silva também manteve uma tradição: em suas três participações na Assembleia da ONU, usou um casaco com bordado palestino, presente da embaixada da Palestina no Brasil.
Defesa das mulheres
As mulheres foram mencionadas seis vezes. Lula falou contra o feminicídio e os crimes digitais cometidos contra mulheres, além de citar a situação de mulheres e crianças em Gaza. Também abordou a sobrecarga doméstica e afirmou que seu governo busca construir um país em que as mulheres não precisem pedir licença para ocupar espaços de poder ou entrar no mercado de trabalho.



