Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro mencionam contatos com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, além de tratativas sobre indicações no Ministério Público Federal. O conteúdo levou parlamentares do partido Novo a pedir a análise do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), que abriu procedimento sob sigilo.
O caso foi distribuído ao conselheiro Francisco de Assis Vieira Sanseverino. Como Gonet preside o colegiado, a solicitação foi direcionada ao vice-presidente, o procurador Nicolao Dino de Castro e Costa Neto, irmão mais velho do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.
Referências nas mensagens
O relatório da Polícia Federal aponta o advogado Ciro Soares como um dos principais intermediários entre Vorcaro e Gonet. Soares também teria intermediado um encontro com Mendonça. Em um áudio, ele afirma que havia pedido a Gonet que atuasse para retirar a candidatura do procurador Georges Seigneur à presidência do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG).
A desistência de Seigneur deixaria Jarbas Soares Júnior como candidato único. No áudio, Soares relata que Gonet teria informado a ele que havia feito o contato e que o candidato desistiria: “Ciro, acabei de ligar para ele, ele vai desistir”.
Em março de 2025, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet e pediu que o banqueiro telefonasse, dizendo que o procurador-geral queria falar com ele. Depois desse envio, a Polícia Federal registrou quatro chamadas de voz. Em 28 de março de 2025, Soares mandou três mensagens afirmando que Gonet havia escrito para Vorcaro. Uma delas mencionava uma viagem para Roma.
As mensagens também fazem referência a uma possível viagem conjunta a Londres. Gonet teria respondido mencionando charuto e Macallan e pedido a inclusão do filho. No ano anterior, o procurador-geral participou do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento associado a uma degustação de uísque Macallan e charutos no George Club, na capital britânica.
Pedido do partido Novo
As menções a “Paulo” aparecem ainda em conversas de Vorcaro com o contato identificado como Alexandre de Moraes. O banqueiro dizia que a situação econômica do banco Master estava boa, mas que o Banco Central estaria sob pressão do MPF e da Polícia Federal para tomar uma decisão sobre a instituição. Ele pediu reforço junto a Andrei e Paulo e, em seguida, enviou nomes de procuradores, agentes da PF e delegados.
O pedido do Novo foi protocolado na quarta-feira (2), um dia depois do levantamento do sigilo sobre relações entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Os parlamentares afirmaram não pretender antecipar culpa, mas sustentaram que os riscos justificariam atribuir o caso Master a um subprocurador-geral da República, no lugar do chefe do órgão acusatório.



