Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro registram contatos entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o dono do Banco Master. Os diálogos também mostram que o advogado Ciro Soares atuava como intermediário entre os dois.
Uma das imagens compartilhadas nas conversas exibe Gonet ao lado de Vorcaro, bebendo uísque e fumando charutos. O registro foi feito em 25 de abril de 2024, durante uma degustação no George Club, clube privado localizado no bairro de Mayfair, em Londres. O custeio do evento é atribuído a Vorcaro por pessoas com conhecimento das investigações.
A assessoria da Procuradoria-Geral da República confirmou que Gonet participou do encontro com outras autoridades. A pasta também afirmou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, avaliou não haver irregularidade nas referências ao procurador-geral.
Intermediação por advogado
De acordo com os registros analisados pela PF, o contato entre Gonet e Vorcaro começou em abril de 2024, por meio de Ciro Soares. Inicialmente, os assuntos envolviam Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais.
No ano seguinte, as conversas passaram a tratar da organização de um evento em Londres, financiado pelo Banco Master. Em março, Ciro enviou a Vorcaro uma foto em que aparece com Gonet e informou que o procurador-geral queria falar com ele. Em outra mensagem, disse que estava viajando para Roma e pediu que o conteúdo fosse encaminhado a Gonet.
As mensagens também indicam que o advogado discutiu a participação de Gonet na viagem e perguntou se o filho do procurador-geral poderia acompanhá-lo. Vorcaro respondeu afirmativamente. A assessoria de Ciro afirmou que o evento não chegou a ser realizado e declarou: “Não há qualquer ilegalidade”.
Declarações de Gonet
Em sessão no STF no último dia 15, Gonet negou ter proximidade ou conhecer Vorcaro. Ele afirmou que falou apenas uma vez com o ex-banqueiro e descreveu o encontro de 2024 como breve e sem relevância. Também disse que ficou satisfeito com a avaliação de André Mendonça de que os elementos reunidos pela PF não indicariam prática ilícita do procurador-geral.
Integrantes da PGR que trabalham diretamente com Gonet afirmam que ele conhecia Ciro Soares e mantinha com o advogado um tratamento amigável, associado ao seu estilo.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu, no último dia 3, um procedimento para apurar as menções a Gonet nas mensagens. Internamente, o procurador-geral criou um grupo de trabalho para lidar com os casos do Banco Master. Integrantes da cúpula da PGR avaliaram que as referências expõem a instituição, embora não houvesse, até aquele momento, elemento capaz de tornar Gonet alvo de investigação. O procurador-geral pretende usar o caso para contestar alegações de suspeição.



