Uma informação falsa sobre Flávio Bolsonaro (PL) apoiar a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida foi difundida nas redes sociais a partir da noite de quinta-feira, 24. A narrativa envolveu um projeto que não está em tramitação e foi arquivado em 2008.
A origem foi uma informação divulgada pelo programa Em Pauta, da GloboNews, que mencionou uma suposta mobilização de evangélicos em torno da proposta e uma possível reação da Igreja Católica. Horas depois, a emissora corrigiu o conteúdo e informou que o projeto havia sido apresentado na Câmara dos Deputados em 2007 e arquivado em 2008. A correção terminou com um pedido de desculpas pelo erro.
Na sexta-feira, 25, o vice-presidente Geraldo Alckmin publicou uma mensagem sobre a circulação das informações, sem citar Flávio Bolsonaro. Ele afirmou ter recebido mensagens de católicos preocupados com os rumos do país e disse que, enquanto ele e o presidente Lula governarem, as tradições religiosas estarão protegidas e preservadas.
Flávio Bolsonaro negou duas vezes ter apoiado a proposta. Na primeira manifestação, antes da correção da GloboNews, afirmou: “É uma mentira que eu teria apoiado algum projeto que fosse retirar Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.” Depois, disse respeitar todas as religiões e criticou a aproximação de Lula com o catolicismo em períodos eleitorais.
O conteúdo do projeto
A proposta foi apresentada pelo então deputado federal Victório Galli, filiado à época ao MDB, em dezembro de 2007. O texto pretendia alterar trechos da lei que criou o feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro.
Uma das mudanças previa substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi arquivado em agosto de 2008, por recomendação de Átila Lira, relator na Comissão de Educação e Cultura. Para o parlamentar, a alteração não tinha amparo constitucional.
O texto voltou a circular como se ainda estivesse em tramitação. Em outubro de 2022, uma montagem que simulava o perfil de Jair Bolsonaro também atribuiu ao então presidente a intenção de acabar com o feriado de Nossa Senhora Aparecida. A publicação, segundo a checagem da Aos Fatos, nunca existiu.



