O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) determinou que documentos com informações fiscais sigilosas sejam protegidos no processo de registro da candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado. A decisão foi tomada neste sábado (5.set.2026), mesma data em que o presidente da corte, Carrasco Falavinha Souza, estabeleceu prazo de 24 horas para o candidato se manifestar sobre a divulgação dos dados do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O tribunal também encaminhou o caso ao Ministério Público para as providências relacionadas ao vazamento de informações fiscais sigilosas de terceiros. A documentação faz parte de um processo de registro de candidatura que soma mais de 5 mil páginas.
Deltan incluiu no pedido de registro dezenas de páginas com dados fiscais e bancários de Zanin. O material havia sido obtido em 2019, durante a operação Lava Jato no Rio de Janeiro, quando Zanin atuava como advogado de Luiz Inácio Lula da Silva. As informações foram posteriormente anuladas pela Justiça.
Pedido de Zanin
O ministro solicitou ao TRE-PR que os dados deixassem de ficar expostos e que os responsáveis fossem responsabilizados, inclusive criminalmente. Deltan retirou o material de um processo sigiloso contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Os documentos foram inseridos integralmente no sistema do tribunal pelos advogados do candidato. O conteúdo podia ser consultado no site público do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi usado para contestar a tentativa de impugnação da candidatura.
A defesa de Deltan afirmou que anexou “milhares de páginas” e negou intenção de expor os dados do então advogado, dizendo que buscava exercer o direito político de candidatura e demonstrar sua elegibilidade.
Em nota, o TRE-PR informou que o protocolo no Processo Judicial Eletrônico (PJe) é feito pelos advogados das partes, responsáveis por atribuir sigilo aos documentos. A corte também declarou ter determinado a proteção imediata dos arquivos fiscais incluídos no processo.



