Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Saúde

Álcool, tabaco e metanol podem provocar danos graves à visão

Neuro-oftalmologia identifica alterações visuais ligadas ao sistema nervoso e orienta diagnóstico e tratamento rápidos.

Álcool, tabaco e metanol podem provocar danos graves à visão

O consumo crônico de álcool e tabaco pode provocar neuropatias ópticas tóxicas, com perda visual progressiva e, em casos graves, cegueira. A ação dessas substâncias está relacionada ao colapso da produção de energia nas células responsáveis pela visão, conforme informações do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

O alerta integra a publicação Neuro-Oftalmologia, lançada durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador. Organizado pelos oftalmologistas Eric Pinheiro de Andrade, Leonardo Provetti Cunha e Mário Luiz Monteiro, o trabalho aborda a anatomia, doenças e avanços tecnológicos da subespecialidade que reúne oftalmologia e neurologia.

Alterações que podem ter origem neurológica

O CBO explica que o olho permite observar, sem instrumentos ou procedimentos invasivos, aspectos do sistema nervoso central. Isso ocorre por meio do nervo óptico, extensão direta do cérebro. Por esse motivo, uma queixa visual pode ser o primeiro sinal de doenças neurológicas importantes e potencialmente tratáveis.

A neuro-oftalmologia investiga condições como neurites ópticas associadas à esclerose múltipla, infarto do nervo óptico, compressões provocadas por tumores de hipófise e aneurismas, papiledema — inchaço causado pela pressão elevada dentro do crânio — e paralisias que levam à visão dupla.

Nas neuropatias relacionadas ao uso crônico de álcool e tabaco, a perda visual costuma ser lenta, indolor e atingir os dois olhos ao mesmo tempo. A pessoa pode notar um borrão na região central do campo visual, enquanto a visão periférica permanece preservada. Também pode ocorrer perda de intensidade das cores, com o vermelho adquirindo aspecto de rosa lavado.

Intoxicação por metanol exige atendimento rápido

A ingestão de metanol, geralmente por meio de bebidas adulteradas, pode provocar problemas em todo o trajeto entre a retina e o córtex cerebral. Os sintomas costumam aparecer entre seis e 24 horas após o consumo e incluem visão turva, sensibilidade à luz, pupilas dilatadas e perda da visão das cores. O quadro pode evoluir para cegueira irreversível, convulsões e coma.

O CBO recomenda avaliação especializada rápida diante de perda súbita da qualidade da visão, visão dupla que desaparece quando um dos olhos é coberto, queda da pálpebra que piora ao longo do dia, dor ao movimentar o olho ou dores de cabeça persistentes acompanhadas de escurecimentos da visão ao se levantar.

A investigação começa pela anamnese, conversa entre médico e paciente que, quando bem conduzida, permite chegar ao diagnóstico correto em 90% dos casos. O profissional considera restrições alimentares, cirurgia bariátrica anterior, uso de medicamentos tóxicos, histórico familiar e padrão de consumo de álcool e tabaco.

Depois, podem ser realizados exames das pupilas, da visão das cores, do campo visual, dos movimentos oculares e do fundo do olho. Entre os exames complementares estão a tomografia de coerência óptica, que mede a espessura das fibras nervosas em micrômetros, a ressonância magnética, a dosagem de vitamina B12 e testes eletrofisiológicos da visão.

Nas neuropatias tóxicas, a orientação é suspender imediatamente o agente causador. Nos casos relacionados a deficiências, recomenda-se a reposição rápida de vitaminas. A intoxicação aguda por metanol requer tratamento de emergência, com antídotos, correção da acidose e, em alguns casos, diálise. Quando iniciada a tempo, a medida pode preservar a visão.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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