SÃO PAULO — Alice Oseman encerrou a história de Heartstopper no sexto e último volume dos quadrinhos e na adaptação cinematográfica lançada pela Netflix. Aos 31 anos, a autora afirma que pretende fazer uma pausa e considera escrever ficção para adultos, depois de concluir a trajetória de Nick e Charlie.
A escritora participou da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo nos dias 5 e 7 de setembro. Durante o evento, encontrou leitores que acompanhavam sua produção desde os quadrinhos publicados na internet e que também conheceram a história pela série da Netflix. “Os fãs brasileiros são muito apaixonados, muito barulhentos, mas todos muito agradáveis”, disse Alice Oseman.
Heartstopper acompanha o relacionamento entre dois adolescentes e aborda temas ligados à comunidade LGBT+, à saúde mental, à solidão e à assexualidade. A autora, que se identifica como assexual, também escreveu Rádio Silêncio, Sem Amor e Um Ano Solitário.
O fim da história
Oseman afirma que já havia decidido encerrar a trama quando a trajetória escolar de Nick e Charlie chegasse ao fim. Ao alcançar o sexto volume, considerou que havia desenvolvido tudo o que pretendia com os personagens e não quis prolongar a narrativa apenas por causa do sucesso.
A autora também explicou que o último volume aprofunda as inseguranças de Nick. Segundo ela, parte dos leitores o enxerga apenas como o namorado que salva e apoia Charlie, enquanto a nova etapa evidencia a dor e a ansiedade do personagem.
A evolução do relacionamento entre os dois também foi alvo de comentários sobre sexo. Oseman disse que a abordagem gradual sempre fez parte de seu plano, porque os personagens ainda eram muito jovens nos primeiros volumes. Para ela, a história deveria amadurecer junto com Nick, Charlie e o público.
Embora seja associada a uma narrativa leve, a autora afirma que a obra também trata de bullying, relacionamento tóxico e questões de saúde mental. O desafio, segundo Oseman, foi definir quanto mostrar de temas perturbadores, como um transtorno alimentar, sem perder o foco na esperança e no otimismo.
Internet e próximos livros
Oseman contou que mantém uma relação difícil com a internet. Ela cresceu usando a rede e gosta de conversar com os leitores, mas considera que o ambiente se tornou mais negativo. A autora também relatou ter apagado o Twitter, chamado de novo X, embora ainda acompanhe uma comunidade de fãs de Heartstopper na plataforma.
A publicação gratuita dos quadrinhos em inglês continua sendo importante para a escritora porque permite que adolescentes LGBT+ conheçam a história sem precisar comprar os livros. Ela afirma que o acesso online também contribuiu para que mais pessoas descobrissem a obra.
Sobre o futuro, Oseman disse que não se sente mais tão próxima da vida adolescente quanto quando começou a criar Heartstopper. “A ficção para adultos está nos planos para o futuro”, afirmou. Ela também demonstrou interesse em voltar a escrever sobre assexualidade, tema que considera pouco compreendido.
Entre as recomendações dadas pela autora estão Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, adaptado para uma história em quadrinhos, e Querida Konbini, de Sayaka Murata, livro voltado ao público adulto que considera um de seus favoritos.



