Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Brasil lidera alta do excesso de peso entre países latino-americanos avaliados

Estudo do GBD aponta aumento da obesidade e relaciona o avanço a mudanças na alimentação e à redução da atividade física.

Brasil lidera alta do excesso de peso entre países latino-americanos avaliados
Foto: Getty Images Brasil reduz a desnutrição, mas enfrenta piora na qualidade da alimentação

A proporção de brasileiros com sobrepeso ou obesidade chegou a 66,8% em 2023, ante 40,3% em 1990. O dado faz parte de um estudo da série Carga Global de Doenças (GBD, do inglês Global Burden of Disease), publicado neste mês no site da revista Lancet, que analisou adultos com 25 anos ou mais em 17 países latino-americanos.

O Brasil, junto com a Colômbia, registrou crescimento de 69% na parcela da população com excesso de peso. A média de aumento na América Latina foi de 47%. Considerando apenas a obesidade, o índice brasileiro passou de 7,8% para 27,7% entre 1990 e 2023, mais que triplicando no período. Com a soma de sobrepeso e obesidade, dois em três brasileiros estavam acima do peso considerado normal para a altura.

Alimentação e atividade física

A pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Deborah Carvalho Malta, que participou da elaboração do estudo, relaciona a mudança à alimentação e à prática de exercícios físicos. Para ela, o país vive uma transição nutricional marcada pela redução da desnutrição e pela piora na qualidade dos alimentos consumidos.

“Houve melhoras das condições reais de vida, de acesso a alimentos, de melhora da merenda escolar”, afirma Deborah. Ela cita políticas de proteção social, o Bolsa Família e a melhora do salário mínimo como fatores associados à redução da desnutrição, que se tornou um problema residual.

Ao mesmo tempo, a pesquisadora aponta a substituição de alimentos saudáveis por produtos ultraprocessados. Entre as características citadas estão o preço mais baixo, a facilidade de preparo e a presença de altos teores de gordura, açúcar e sódio. Deborah também destaca a queda no consumo de feijão, fonte de proteínas, fibras, vitaminas e minerais.

O sobrepeso corresponde a um índice de massa corporal (IMC) entre 25,00 e 29,99. A obesidade é identificada quando o IMC chega a 30,00 ou mais.

Prevenção desde a infância

Deborah defende políticas para estimular a alimentação saudável, incluindo maior taxação sobre produtos ultraprocessados, como refrigerantes, e redução de impostos sobre carnes, frutas, verduras, hortaliças, arroz e feijão. Ela também considera importante incentivar o aleitamento materno até os dois anos de idade e garantir alimentos saudáveis na merenda escolar.

Outro ponto citado é o aumento do sedentarismo, associado a menos exercícios e a maior exposição a telas de celulares, computadores e televisão. “Essa combinação, da dieta com a atividade física, ela é muito determinante do aumento do excesso de peso”, diz a pesquisadora.

Segundo Deborah, o excesso de peso deve ser enfrentado ainda na infância. Ela afirma que a obesidade adquirida nessa fase é mais difícil de reverter e aumenta a predisposição à obesidade na vida adulta e a doenças crônicas não transmissíveis.

A pesquisadora também relaciona o excesso de peso a doenças cardiovasculares, renais e osteomusculares, além de vários tipos de câncer. Ela cita ainda efeitos psicológicos sobre a autoestima.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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