Belo Horizonte, Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
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Estudo aponta falta de conhecimento sobre aumento benigno da próstata

Pesquisa com homens na China indica que o desconhecimento dos sintomas pode atrasar a procura por atendimento e agravar problemas urinários.

Estudo aponta falta de conhecimento sobre aumento benigno da próstata
Foto: peakSTOCK/Getty Images Signature/Bons Fluidos

Mais da metade dos homens com 50 anos ou mais avaliados em uma pesquisa na China não demonstrou conhecimento suficiente sobre a hiperplasia prostática benigna, condição que provoca o crescimento não cancerígeno da próstata. A falta de informação pode fazer com que sintomas urinários sejam atribuídos ao envelhecimento e atrasar a busca por atendimento.

Publicado em julho no periódico Neurourology Urodynamics, o estudo analisou 444 questionários coletados entre 2023 e 2024. Entre os participantes, 191 tinham entre 60 e 69 anos. A hiperplasia se torna mais frequente com o avanço da idade e ocorre quando a próstata aumenta de tamanho na região próxima à uretra, canal que conduz a urina para fora do corpo.

Sinais e possíveis complicações

Os sintomas podem incluir dificuldade para iniciar a urina, fluxo fraco ou interrompido, sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada, maior frequência urinária durante o dia, necessidade de urinar à noite e urgência para ir ao banheiro. Também pode haver perda involuntária de urina.

O crescimento da próstata pode comprimir a uretra e exigir um esforço maior da bexiga. Com o tempo, a musculatura do órgão pode sofrer alterações, deixando a parede mais rígida e menos eficiente. Pequenas bolsas chamadas divertículos também podem se formar e favorecer o aparecimento de cálculos na bexiga.

Em situações avançadas, parte da urina permanece retida depois da micção. O quadro pode evoluir para uma obstrução completa. Como os rins continuam produzindo urina, a pressão acumulada pode dilatar estruturas renais e prejudicar o funcionamento desses órgãos.

O urologista Marcelo Wroclawski, da Sociedade Brasileira de Urologia, afirma que a condição “acomete cerca de metade dos homens acima de 50 anos e quase 90% daqueles com mais de 80 anos”.

Diferença para o câncer de próstata

A hiperplasia prostática benigna não é câncer. No crescimento benigno, o aumento das células ocorre principalmente na parte central da glândula e costuma causar alterações urinárias. O câncer de próstata, por sua vez, geralmente se desenvolve na região periférica e pode não produzir sintomas nas fases iniciais.

Por essa razão, Wroclawski defende o acompanhamento urológico periódico mesmo quando não há queixas. A avaliação pode contribuir para a identificação precoce do câncer e para melhores resultados no tratamento, incluindo a preservação da continência urinária e da ereção.

A recomendação apresentada pelos especialistas é que homens a partir de 45 anos façam avaliações urológicas de rotina, ainda que não tenham sintomas. O urologista Gustavo Caserta Lemos, do Einstein Hospital Israelita, explica que o ritmo de crescimento da próstata varia: em alguns casos, é lento e pode não exigir tratamento; em outros, os problemas aparecem a partir da quinta ou da sexta década de vida.

Impacto na rotina e opções de tratamento

Mesmo sintomas considerados leves podem prejudicar o cotidiano. Alguns homens reduzem o consumo de líquidos ou evitam sair de casa para não precisar procurar banheiros. Segundo Wroclawski, isso pode afetar o sono, a convivência social e a vida sexual.

O tratamento depende das características e das necessidades de cada paciente. As alternativas incluem medicamentos, procedimentos minimamente invasivos e cirurgias. Entre os remédios citados está a silodosina, que relaxa a musculatura da próstata e do colo da bexiga para facilitar o fluxo urinário.

Há ainda técnicas feitas pelo canal da urina, como procedimentos com vapor d’água, implantes prostáticos e stents temporários. Algumas podem ser realizadas sem internação e têm, entre as possíveis vantagens, a preservação da ejaculação.

Quando a próstata está muito aumentada, podem ser indicadas cirurgias abertas ou robóticas. Também existem procedimentos pela uretra, como a ressecção transuretral da próstata, conhecida como RTU, que remove em partes a região central da glândula. O laser é outra possibilidade, mas os resultados ainda precisam ser avaliados com o uso em um número maior de pacientes e ao longo do tempo.

Para Gustavo Caserta Lemos, adiar o tratamento pode comprometer a resposta da bexiga mesmo depois da desobstrução. A orientação dos especialistas é procurar avaliação médica diante de alterações urinárias, sem considerar automaticamente que elas fazem parte do envelhecimento.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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