Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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El Niño amplia riscos para a produção global de açúcar

Seca na Índia e na Tailândia contrasta com chuvas no Brasil, que podem afetar a colheita atual e favorecer a próxima safra.

El Niño amplia riscos para a produção global de açúcar

O El Niño de forte intensidade passou a ser o principal fator climático de risco para o mercado global de açúcar, de acordo com avaliação da Hedgepoint Global Markets. O fenômeno pode produzir efeitos distintos entre os maiores países produtores: Índia e Tailândia enfrentam seca e calor, enquanto o Brasil pode registrar chuvas mais intensas.

A maioria das agências meteorológicas prevê que o fenômeno atinja o pico entre o final de 2026 e o início de 2027. No Centro-Sul brasileiro, as projeções indicam precipitações acima da média entre outubro e dezembro, período que abrange a primavera e o começo do verão.

No curto prazo, o excesso de chuva pode prolongar interrupções na colheita, reduzir os níveis de Açúcar Total Recuperável (ATR) e prejudicar a eficiência das operações. “No curto prazo, chuvas adicionais provavelmente prolongarão as interrupções na colheita, reduzirão os níveis de ATR e diminuirão a eficiência operacional”, afirmou Lívea Coda, coordenadora de inteligência de mercado da Hedgepoint.

A umidade, porém, também pode beneficiar o desenvolvimento da cana destinada à safra de 2027/28. As estimativas da consultoria já incorporam parte dos efeitos sobre o ATR e a colheita, mas as previsões de precipitação podem levar a uma revisão para baixo. Uma oferta mais restrita no quarto trimestre de 2026 e no primeiro trimestre de 2027 poderia dar suporte adicional ao contrato de março.

Condições na Ásia e na Europa

Na Índia, as temperaturas elevadas aumentaram o estresse da cana durante uma fase crítica do desenvolvimento, com possíveis impactos sobre produtividade, recuperação de açúcar e eficiência da moagem. “Isso sugere que o país pode vir a precisar de novas quotas de importação durante a safra 26/27”, disse Lívea.

A Tailândia também tem previsão de chuvas abaixo do normal e temperaturas acima da média até o início de 2027. As condições podem afetar a produtividade e o teor de açúcar. As chuvas previstas para novembro ainda podem favorecer o desenvolvimento da cana e restringir a antecipação da colheita, esperada apenas para dezembro.

Na Indonésia, a estação chuvosa pode começar mais tarde e durar menos que o normal, especialmente em Java, uma das principais regiões produtoras. Na União Europeia, o verão quente e seco prejudicou a beterraba sacarina. A projeção de produção foi reduzida de 13,8 milhões para 13,1 milhões de toneladas: queda de 17% em relação à safra 2025/26 e volume 2,2% inferior ao estimado pela Comissão Europeia. Chuvas mais intensas no outono ainda podem dificultar a colheita.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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