Belo Horizonte, Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
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Proagro terá orçamento de R$ 5,6 bilhões em 2027, aponta PLOA

Redução de 15,3% será a primeira na verba inicial do programa desde 2018, após medidas de controle de despesas e novas regras.

Proagro terá orçamento de R$ 5,6 bilhões em 2027, aponta PLOA

O orçamento inicial do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) deve cair de R$ 6,6 bilhões em 2026 para R$ 5,6 bilhões em 2027, uma redução de 15,3%. A previsão está no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2027 e representa a primeira redução da verba inicial do programa desde 2018.

A diminuição ocorre após medidas de contenção de gastos e mudanças nas regras de acesso ao Proagro, adotadas nos últimos anos depois de determinações do Tribunal de Contas da União (TCU). Na mensagem presidencial enviada ao Congresso Nacional, o governo federal estima que essas medidas geraram economia de R$ 3,2 bilhões para a União em 2025, na comparação com os aportes feitos dois anos antes. Entre 2026 e 2029, o potencial de despesas evitadas é calculado em R$ 15,1 bilhões.

O Banco Central, responsável pela gestão do programa, informou que estimou receitas e despesas com base no histórico de enquadramentos e indenizações dos últimos cinco anos, no ajuste das alíquotas de contribuição para o ano agrícola 2026/2027 e no uso de modelos estatísticos.

As despesas orçamentárias do Proagro chegaram perto de R$ 9,5 bilhões em 2023, o maior valor registrado no período mencionado. Depois, recuaram para R$ 6,2 bilhões em 2024 e R$ 5 bilhões em 2025. Também diminuíram o número de contratos, a área coberta e os valores protegidos pelo programa.

Em 2025, a verba inicial era de R$ 5,7 bilhões, mas o Banco Central devolveu mais de R$ 758 milhões que não foram aplicados. Para 2026, ainda não há fechamento da conta, mas existe possibilidade de sobra de recursos. O Ministério da Agricultura e a bancada ruralista defendem que esse dinheiro seja destinado ao Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR), que sofreu cortes orçamentários. A proposta, porém, enfrenta resistência de parte da equipe econômica e do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário informou que “deve haver sobra expressiva no orçamento do Proagro” em 2026 e que os recursos devem formar uma reserva. Segundo a pasta, isso permite a redução prevista para 2027 sem problemas. A possibilidade de transferência para o seguro rural foi retirada da versão final do projeto de lei 2.951/2024, aprovado no Senado na semana passada.

A redução da verba preocupa agricultores diante do risco climático associado ao El Niño. Eugênio Zanetti, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), afirmou que é necessário manter um seguro adequado para enfrentar possíveis perdas de safra. “É de se indignar”, disse, ao criticar o corte em um período de risco climático.

O Proagro atende pequenos e médios produtores que sofrem prejuízos comprovados por adversidades climáticas, pragas ou doenças. Quando a cobertura é deferida, os agricultores são liberados das obrigações financeiras do financiamento de custeio, com o pagamento feito posteriormente. Como se trata de despesa obrigatória, o governo já precisou deslocar recursos de outras áreas para pagar indenizações.

Até agosto deste ano, o Tesouro não havia feito aportes ao programa, informou o Banco Central. As despesas tinham sido pagas com o adicional cobrado dos produtores que contratam a cobertura e com rendimentos financeiros das aplicações desses valores.

O Banco Central também atribuiu parte da economia à menor ocorrência de eventos climáticos extremos. João Luiz Guadagnin, consultor em crédito, avaliou que o aperto regulatório impedirá o uso do Proagro para “encobrir malfeitos” de agentes envolvidos. Ele afirmou ainda que eventuais despesas adicionais provocadas pelo El Niño poderiam ser atendidas com recursos extraordinários do Tesouro.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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