Belo Horizonte, Quarta-feira, 9 de setembro de 2026
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Biometano avança no mundo e encontra espaço para crescer no Brasil

Levantamento aponta expansão acelerada em diferentes países e destaca o potencial brasileiro a partir de resíduos agroindustriais.

Biometano avança no mundo e encontra espaço para crescer no Brasil
Foto: Esquina.CC/DINO

O biometano já é usado no transporte em quase 30 mercados e alcançou produção comercial em mais de 12 países, de acordo com um estudo internacional encomendado pelo Instituto MBCBrasil. O levantamento analisou cerca de 40 países e colocou o Brasil entre os locais onde o combustível renovável apresenta expansão mais rápida, ao lado de Estados Unidos, China, Índia, Espanha, Irlanda, Áustria e Bélgica.

A análise também identificou mercados em estágio consolidado, como Suécia, Alemanha, Itália, França, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Suíça, Reino Unido, Noruega e o estado americano da Califórnia. Nesse último caso, 97% do combustível gasoso utilizado nas estradas já é biometano.

Produção e projeções internacionais

Na Europa, existem 1.678 plantas de biometano em funcionamento, além de mais de 100 mil instalações industriais com possibilidade de adaptação. A região produz atualmente cerca de 22 bilhões de m³ por ano. Pelo plano REPowerEU, a União Europeia estabeleceu o objetivo de alcançar 35 bilhões de m³ até 2030. O estudo estima que o volume chegue a aproximadamente 132 bilhões de m³ em 2040 e fique entre 181 e 205 bilhões de m³ por ano até 2050.

A China opera cerca de 40 milhões de biodigestores e conta com uma rede de gás natural de 260 mil quilômetros. Nos Estados Unidos, foram contabilizados 470 projetos de biometano em 2023. A Índia, por sua vez, possui 7,7 milhões de veículos movidos a gás e um mercado de gás natural veicular de 7,6 bilhões de m³ por ano.

O levantamento registra ainda a oferta de veículos com plataformas a CNG e LNG para transporte de passageiros, carga e atividades municipais e agrícolas. Em regiões sem gasodutos físicos, o combustível pode ser distribuído por caminhões-tanque, em redes conhecidas como gasodutos virtuais.

Potencial brasileiro

O Brasil tem 755 plantas de biogás e cerca de 345 usinas sucroenergéticas em operação. Apesar disso, utiliza menos de 2% do potencial estimado em 41,4 bilhões de m³ anuais apenas no setor sucroenergético.

Em São Paulo, o biometano já apresenta competitividade diante do diesel, segundo o estudo, e poderia substituir cerca de 50% do combustível fóssil consumido no frete regional. A partir de 2026, a Lei do Combustível do Futuro prevê metas para reduzir emissões de gases de efeito estufa no mercado de gás natural por meio do incentivo ao biometano. O percentual inicial será de 0,5% e poderá crescer gradualmente até 10%.

Uma operação da usina Cocal, em Narandiba (SP), exemplifica esse aproveitamento. Em funcionamento desde 2020, a unidade utiliza vinhaça e torta de filtro, resíduos do processamento da cana, em biodigestores verticais. O sistema monitora fatores como pH e temperatura em tempo real e produz cerca de 50 mil Nm³ de biometano por dia.

O caso integra o projeto Biorota e foi apresentado em um documentário editorial. A iniciativa mostra a transformação de resíduos em combustível e é apontada como exemplo do caminho para ampliar o uso do biometano no país.

Para José Eduardo Luzzi, presidente do Conselho de Administração do Instituto MBCBrasil, o Brasil participa de um movimento que já se espalhou por quase 30 países. Ele afirma que a escala de matéria-prima disponível no país representa uma vantagem, mas também exige medidas para ampliar seu aproveitamento.

Gláucia Mendes Souza, professora da USP e líder da IEA Bioenergy Task 39, é uma das autoras do estudo. Para ela, a comparação entre os mercados mostra que o biometano vem sendo testado, ampliado e financiado em economias distintas. A pesquisadora cita o volume de resíduos agroindustriais brasileiro e a operação paulista como sinais de que esse potencial pode ser convertido em atividade produtiva.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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