O ex-chanceler alemão Gerhard Schröder assumiu uma vaga no conselho de supervisão da Hyperglobus, subsidiária russa da varejista alemã Globus Holding GmbH & Co. O anúncio foi feito pela empresa nesta sexta-feira (02/10).
Schröder, de 82 anos, governou a Alemanha entre 1998 e 2005. Filiado ao Partido Social-Democrata (SPD), ele manteve uma relação próxima com o presidente russo Vladimir Putin durante o período em que chefiou o governo alemão e, depois, passou a trabalhar para empresas estatais russas.
A Hyperglobus é controlada pelo alemão Thomas Bruch, ex-CEO da Globus e integrante da família proprietária da varejista. De acordo com a empresa, Schröder ajudará no desenvolvimento estratégico dos negócios e participará da gestão geral.
A companhia russa se separou da Globus para formar uma empresa independente em 2025, mas continua usando a marca da varejista alemã. A Hyperglobus opera mais de 20 supermercados na Rússia.
Nomeação ocorre após medida contra a Metro
O anúncio foi divulgado quatro dias depois de Putin assinar um decreto que colocou os ativos russos da rede alemã Metro sob administração temporária. A medida fez parte de uma série de ações contra empresas de países que apoiaram a Ucrânia na guerra contra a Rússia.
O jornal russo Kommersant informou que a escolha de Schröder poderia ser uma tentativa da Hyperglobus de evitar uma intervenção semelhante. Os bens da rede francesa Auchan também foram congelados recentemente pelo Kremlin.
Thomas Bruch afirmou que a experiência de Schröder na vida política, econômica e cultural da Rússia será útil para o conselho da empresa. Schröder, por sua vez, disse que a manutenção de relações econômicas e de investimentos na Rússia é importante, especialmente para garantir o abastecimento alimentar da população.
Relações com empresas russas
Durante o período em que esteve à frente do governo alemão, Schröder defendeu relações energéticas mais estreitas com a Rússia. Críticos afirmam que essa política deixou Berlim excessivamente dependente do petróleo e do gás russos.
Após deixar a política, o ex-chanceler ocupou cargos na petroleira estatal russa Rosneft e em projetos do gasoduto Nord Stream. Em 2022, depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, a Alemanha retirou dele o gabinete parlamentar e a equipe financiados pelos contribuintes.
No mesmo ano, Schröder deixou o conselho de administração da Rosneft e desistiu de integrar o conselho da Gazprom, após o Parlamento Europeu ameaçá-lo com sanções. No início deste ano, Putin afirmou que o alemão era seu interlocutor preferido para negociações sobre novos arranjos de segurança para a Europa, proposta rejeitada pela União Europeia.
O Kremlin informou em junho que Putin e Schröder haviam se reunido a portas fechadas, sem divulgar detalhes do encontro.



