IGARAPÉ — A regularização do alambique do Sítio João Durval permitiu que a família passasse a usar rótulos nos produtos, participasse de concursos e buscasse novos pontos de venda. A cachaça prata está entre os cinco finalistas do concurso da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e também foi inscrita em uma competição da Emater-MG.
A mudança faz parte do trabalho de Aline Alves Pereira na área administrativa do negócio, conduzido ao lado da irmã, Renata Alves Pereira. Tecnóloga em gestão ambiental, Aline passou a integrar oficialmente a rotina da propriedade em 2024 e, há três anos e meio, atua na profissionalização do alambique familiar.
“É uma realização que traz novas perspectivas para nosso negócio”, diz Aline sobre a participação em prêmios nacionais. Com a possibilidade de identificar os produtos, a família pretende ampliar as vendas, hoje concentradas em pequenos comércios locais. O objetivo é alcançar estabelecimentos de cidades vizinhas e criar vendas online por meio de um site próprio.
A adequação do espaço envolveu mudanças na estrutura e na organização da produção. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) acompanhou as reformas, as adaptações necessárias à regularização e a emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). O registro também viabilizou a participação em concursos e a ampliação dos canais de comercialização.
A propriedade mantém há 43 anos a fabricação artesanal de cachaça. São produzidas duas versões: a branca é armazenada em barris de madeira de amendoim, enquanto a amarela passa por envelhecimento em barris de amburana.
Origem da produção
O alambique foi construído por João Alves Pereira depois que ele enfrentou prejuízos no cultivo de hortaliças e decidiu buscar outra atividade. Com o apoio do pai, Durval, iniciou a fabricação da bebida, que se tornou o principal legado produtivo da família.
O nome da cachaça, Durvalina, homenageia o patriarca. Segundo Aline, João e Durval montaram o negócio, e o avô, que era degustador de cachaça, deu apoio ao projeto.
Aos 74 anos, João continua acompanhando as etapas da produção. Para Aline, atuar ao lado do pai representa uma oportunidade profissional e a preservação de uma história construída ao longo de quatro décadas.



