Um manifesto assinado por 157 pessoas pede a apuração completa, célere e independente de fatos e responsabilidades envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades. O documento também defende o afastamento cautelar de quem for formalmente investigado e a criação de um código de conduta vinculante para as cortes superiores e os órgãos de investigação e acusação.
A iniciativa foi articulada em defesa da integridade das instituições e será publicada na edição impressa de quarta-feira, 9. O movimento reúne empresários e executivos, mas também economistas, artistas e cientistas. Entre os economistas estão Ana Paula Vescovi, André Lara Resende, Armínio Fraga, Elena Landau, Gustavo Franco, Mailson da Nóbrega, Marcelo Kayath e Persio Arida.
Também assinam o documento o apresentador Luciano Huck, Nelson Motta, Mayana Zatz, Fernando Reinach e Sílvio Meira. Entre os empresários e executivos aparecem Luiza Helena Trajano, Guilherme Leal, Pedro Passos, Pedro Parente, Maria Silvia Bastos Marques, Walter Schalka e Wilson Ferreira Junior. Uma das assinaturas foi registrada em nome do grupo Mulheres do Brasil, formado por empresárias e executivas.
O que diz o manifesto
O texto afirma que os acontecimentos divulgados recentemente não seriam isolados e relaciona a situação a falhas nos mecanismos de controle das instituições. Também sustenta que as menções alcançam ministros do Supremo, as cúpulas da Polícia Federal e do Ministério Público, o Congresso Nacional e pessoas próximas aos atuais e ao ex-presidente da República.
Os signatários afirmam não se posicionar contra pessoas, mas em defesa das instituições. O manifesto retoma ainda a reivindicação de um código de conduta para o STF, apresentada em dezembro passado e, segundo o documento, não atendida.
Walter Schalka, membro do conselho de administração da Suzano, afirmou que o presidente do STF, Edson Fachin, “tem a obrigação, não o direito, de tomar medidas de forma célere”. Schalka também defendeu que a sociedade se posicione e recorra aos mecanismos jurídicos adequados para expressar sua indignação.
O manifesto foi articulado após a divulgação de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do STF Alexandre de Moraes. O documento pede que as instituições apurem os fatos com urgência e respeitem todas as garantias do devido processo.



