Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Programas eleitorais deixam ajuste fiscal em segundo plano

As propostas dos principais candidatos priorizam promessas econômicas, mas não detalham como enfrentar o desequilíbrio das contas públicas.

Programas eleitorais deixam ajuste fiscal em segundo plano
Foto: Wilton Júnior/Estadão

A preocupação específica com o equilíbrio fiscal não aparece como prioridade para a maioria dos eleitores, embora economistas tendam a apontar o problema como um dos principais desafios do próximo presidente. Na pesquisa da Quaest, a economia foi citada por 19% dos entrevistados, atrás da violência, com 31%, e da corrupção, com 22%.

Os programas dos principais candidatos acompanham essa ordem de preocupações e não apresentam uma proposta detalhada de ajuste. O documento do candidato do PT menciona a necessidade de “reorganizar as contas públicas”, na página 10, mas também afirma que, entre 2023 e 2026, teria sido feito um esforço fiscal de aproximadamente R$ 240 bilhões.

A formulação não é acompanhada de medidas novas. A palavra “continuaremos” aparece 36 vezes, enquanto “Lula” é citada 31 vezes. A expressão “ainda mais” surge 33 vezes. Em declaração feita na semana passada, Lula afirmou que “é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit”.

O programa de Flávio Bolsonaro também não esclarece como pretende compatibilizar suas promessas. O texto prevê a redução da dívida pública, na página 33, e menciona um “tesouraço nos gastos públicos”, na página 12. Ao mesmo tempo, promete reduzir impostos sobre o consumo das famílias, baratear a conta de luz e o transporte, diminuir o IVA, ampliar o seguro rural e apoiar a produção de fertilizantes. Essas medidas aparecem, respectivamente, nas páginas 11, 29, 31 e 32.

A proposta também promete uma reformulação das regras fiscais, na página 71, sem detalhar seu conteúdo. A expressão “e vamos” é repetida 23 vezes no documento.

A análise é que a campanha eleitoral não trata o ajuste fiscal como uma prioridade, em parte porque ele não é desejado pelos eleitores. Mesmo que os candidatos tivessem convicção sobre a necessidade de mudanças mais amplas, o espaço político para implementá-las seria limitado. Nesse cenário, o desequilíbrio das contas públicas é associado às regras do patrimonialismo construídas no país, e a tendência apontada é de alterações pequenas e adiadas, em vez de uma correção abrangente.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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