Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Política

Crise no STF e ausência em debates entram na análise sobre disputa entre Lula e Flávio

Bruno Soller afirma que voto útil pode migrar de candidatos da terceira via para Lula ou Flávio Bolsonaro, conforme o perfil do eleitor.

Crise no STF e ausência em debates entram na análise sobre disputa entre Lula e Flávio
Foto: Allison Sales/NurPhoto via Getty Images Mateus Bonomi/Anadolu via Getty Images

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em debates na televisão são apontadas por Bruno Soller, cientista político e sócio da Real Time Big Data, como fatores que podem influenciar a disputa pela Presidência da República.

Para Soller, o avanço de Flávio nas pesquisas está ligado, entre outros fatores, ao voto útil — quando o eleitor escolhe o candidato considerado mais competitivo para impedir a vitória de seu principal adversário. Essa movimentação, porém, também pode favorecer Lula.

Na pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 24, Flávio aparece com 37% das intenções de voto, enquanto Lula tem 41%. Em 1º de setembro, os percentuais eram de 30% para o candidato do PL e de 38% para o petista.

Possível migração de eleitores

Soller avalia que os eleitores de Augusto Cury (Avante), que registra 6% na pesquisa, tendem a ter maior probabilidade de migrar para Lula. A análise considera que esse grupo está concentrado nas classes mais baixas e nas periferias das grandes cidades.

Já os eleitores de Romeu Zema (NOVO) e Ronaldo Caiado (PSD), além daqueles que se identificam com Renan Santos, poderiam optar por Flávio Bolsonaro. Os quatro nomes foram associados pelo cientista político a candidaturas que, em algum momento, apareceram como alternativas aos dois líderes.

A participação de Lula e Flávio no debate da TV Globo, marcado para o dia 30, pode alterar o cenário, na avaliação de Soller. Ele considera que eleitores indecisos, além de pessoas que pretendem votar nulo ou em branco, podem ser influenciados pelo confronto.

Debate e cenário eleitoral

Soller afirma que a ausência dos dois candidatos em debates ao vivo pode ter sido uma decisão estratégica, por preservar a percepção atual do eleitorado. Na avaliação dele, sem o confronto, os eleitores têm menos contato com as propostas e com o que cada candidato pretende fazer.

No entanto, o cientista político classifica a falta de debates como uma “catástrofe” sob a perspectiva da política e da cidadania. Para ele, quem pretende ocupar a Presidência deveria discutir publicamente suas ideias e o futuro do país.

A crise no STF também aparece na explicação para o crescimento de Flávio. Soller relaciona o movimento às mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, e o ministro Alexandre de Moraes, além do confronto entre ministros da Corte durante o julgamento do caso.

Na análise dele, o episódio atinge o poder dominante e alimenta a rejeição ao status quo. Parte do eleitorado que busca uma alternativa ao governo Lula passaria a enxergar Flávio como a opção mais viável. Esse movimento se combina ao antipetismo e ao antilulismo.

Soller considera que Lula continua competitivo porque há também forte rejeição ao bolsonarismo. Em um eventual segundo turno entre os dois, essa combinação produziria uma disputa marcada pela rejeição a ambos os lados.

O apoio a Flávio ainda reúne eleitores que gostariam de votar em Jair Bolsonaro, mas não podem fazê-lo por causa da condenação por tentativa de golpe de Estado e da inelegibilidade do ex-presidente. Soller avalia que, se o bolsonarismo tivesse um candidato como Tarcísio de Freitas, Lula enfrentaria dificuldade maior, com possibilidade de a eleição terminar no primeiro turno.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.