A revista britânica The Economist afirmou, em artigo publicado na quinta-feira (10), que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) antes vistos como defensores da democracia passaram a representar uma ameaça após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A publicação relacionou essa mudança a um “feio e crescente escândalo de corrupção”.
O texto menciona a condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão, em setembro de 2025, por uma tentativa de golpe de Estado. Também afirma que a decisão ocorreu diante de ameaças, inclusive de Donald Trump, e que parte dos brasileiros considerou o resultado uma defesa da democracia. Com a aproximação das eleições gerais, marcadas para 4 de outubro, a análise sustenta que a percepção sobre os ministros mudou.
Críticas a Alexandre de Moraes
A atuação de Alexandre de Moraes na ação penal é questionada no artigo. A revista afirma que o ministro tomou decisões controversas e censurou contas de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais por meio do inquérito das fake news. O sigilo do procedimento, segundo a publicação, impede saber quantos perfis foram suspensos e quais eram eles.
Moraes também é descrito como alguém que teria acumulado “os papéis de vítima, promotor e juiz”. A análise afirma que o inquérito teria sido usado para proteger o ministro e colegas, além de perseguir fiscais da Receita Federal e fontes jornalísticas.
A revista ainda aborda a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O artigo classifica Vorcaro como “playboy” e afirma que o banco teria sido usado em um esquema Ponzi associado a tráfico de influência. O modelo é comparado ao caso de Charles Ponzi, apontado como responsável por um rombo de US$ 50 bilhões.
A publicação cita um contrato entre o ex-banqueiro e o escritório da esposa de Moraes, além de mensagens trocadas antes da prisão de Vorcaro. Também afirma que o ministro teria ridicularizado uma proposta de código de ética apresentada por Edson Fachin, definido no texto como presidente íntegro do STF.
Caso envolvendo André Mendonça
A relação entre Moraes e Vorcaro teria vindo a público em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento apontava o envolvimento do relator da trama golpista, segundo a revista.
A análise diz que Moraes “pode ter razão” ao acusar Mendonça de agir por motivação política e pedir que ele seja investigado por abuso de autoridade. Ao mesmo tempo, afirma que Mendonça não divulgou informações sobre outros ministros citados no caso e foi acusado pela Polícia Federal de interferir na coleta de provas.
O artigo conclui que a atuação do relator do caso Banco Master no STF pode levar à anulação das provas, o que beneficiaria Moraes e Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL. A revista também afirma que Flávio negou relações com Vorcaro, mas foi desmentido por áudios nos quais pediria quantias milionárias ao ex-banqueiro.
A publicação afirma que a confiança dos brasileiros na Suprema Corte está se desfazendo após sucessivos escândalos de corrupção. Fundada em 1843, a revista já havia criticado, em abril do ano passado, o que classificou como excesso de poder concentrado por Moraes no tribunal.


