O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apoiou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A Segunda Turma do STF formou maioria para manter a medida, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Flávio afirmou que Mendonça teria sido monitorado ilegalmente pela inteligência da PF e criticou a proximidade entre Andrei Rodrigues e Luiz Inácio Lula da Silva, que indicou o diretor para o comando da corporação. Em uma rede social, o senador acusou a existência de um grupo ligado a Lula dentro da Polícia Federal e defendeu que a instituição atue contra criminosos, e não contra adversários políticos.
Mais tarde, em seu canal no YouTube, Flávio destacou os votos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux a favor da decisão de Mendonça. Para ele, os posicionamentos indicam “uma mudança de ambiente dentro do Supremo e principalmente […] uma mudança de ambiente nas ruas”.
A crise mencionada por Flávio começou quando Mendonça, relator do caso Master, tornou públicas conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Entre as mensagens divulgadas estava uma pergunta do banqueiro sobre deixar o país às vésperas de ser preso, em 2025. Não foi informado qual teria sido a resposta de Moraes.
Reações no campo bolsonarista
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, afirmou que a decisão deve ser vista como um passo para a retomada da normalidade no funcionamento das instituições. Ele também defendeu uma investigação ampla sobre a possibilidade de a estrutura da PF ter sido usada para monitorar autoridades e adversários.
Carlos Bolsonaro (PL-SC) questionou quem teria ordenado e se beneficiado do monitoramento. Já o senador Carlos Viana (PSD-MG) cobrou a prisão preventiva de Andrei e repetiu as perguntas: “Quem mandou, quem executou e quem recebeu”.
Durante o ato de 7 de Setembro em São Paulo, Flávio havia dito que pretendia ser eleito para acabar com o que chamou de consórcio entre Lula e Moraes. Também acusou Lula de usar a PF, a Procuradoria-Geral da República e os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, indicados ao STF, para perseguir Jair Bolsonaro e aliados.
No governo Jair Bolsonaro, Moraes havia barrado a nomeação de Alexandre Ramagem para a chefia da PF depois de o então presidente indicar que pretendia utilizar a corporação para produzir informações para suas decisões. Na mesma época, Sergio Moro deixou o governo e acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.



