Terça-feira, 8 de setembro de 2026
O radar da região e do país
Política

Couto ganha força em meio à disputa no STF e à crise entre órgãos do governo

A eventual indicação do desembargador Ricardo Couto seria acompanhada, segundo aliados, por mudanças na Polícia Federal e na cúpula do governo.

Couto ganha força em meio à disputa no STF e à crise entre órgãos do governo
Foto: Brunno Dantas/TJRJ

A possibilidade de Ricardo Couto ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal abriu uma alternativa para Luiz Inácio Lula da Silva diante do conflito entre ministros da corte e da rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado. A escolha do governador interino do Rio de Janeiro também poderia aproximar o presidente de eleitores fluminenses, onde Couto tem avaliação positiva após quatro meses de gestão.

A indicação é defendida por apoiadores de Lula como um gesto de respeito institucional. O presidente deixaria temporariamente de insistir na nomeação do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União para a cadeira do STF, em favor de uma tentativa de pacificação do Judiciário. A decisão teria peso político porque Couto não integra o círculo de amizades do presidente, enquanto Messias é considerado um aliado leal.

De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, 47% dos eleitores do Rio aprovam o trabalho de Couto, e 31% o reprovam. O desembargador assumiu o Executivo estadual em março, depois da renúncia de Cláudio Castro. Ele chegou ao cargo após a renúncia do vice-governador Thiago Pampolha, que se tornou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, e o afastamento de Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio.

Elogios e possível ganho político

Couto preside o Tribunal de Justiça do Rio. Lula tem elogiado publicamente sua atuação e, durante um ato em Bangu, na zona oeste da capital fluminense, afirmou que o magistrado está fazendo uma limpa no estado. O presidente também disse que Eduardo Paes, caso chegue ao Palácio Guanabara, deverá dar continuidade à limpeza promovida por Couto, que determinou a revisão de contratos e exonerações.

O nome do desembargador vinha sendo considerado havia cerca de dois meses e voltou a ser discutido depois de um novo confronto entre ministros. A eventual escolha poderia representar capital político para Lula no terceiro maior colégio eleitoral do país, além de oferecer uma saída para a disputa em torno da vaga deixada por Luís Roberto Barroso.

Messias e a pressão sobre a Polícia Federal

A retirada de Messias da disputa seria uma derrota para Lula, que havia declarado a intenção de reapresentar o nome após a rejeição no Senado. Por isso, uma ala de seus aliados defende que a desistência seja acompanhada da demissão de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.

Esses aliados avaliam que Andrei, embora tenha a confiança do presidente, perdeu condições de comandar a corporação, que, na avaliação desse grupo, está contaminada pelo bolsonarismo. Também são criticadas no Palácio do Planalto as relações do diretor-geral com Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

Na terça-feira (1º), Gilmar procurou Lula para pedir apoio do governo à cúpula da Polícia Federal. A conversa ocorreu durante uma disputa entre Andrei e André Mendonça sobre a condução das investigações do Banco Master. O conflito ganhou novos contornos depois que Mendonça determinou a elaboração de um relatório da PF que expôs mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro.

Na conversa com Lula, Gilmar afirmou que havia uma disfuncionalidade nas relações entre a Polícia Federal, a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça, comandado por Wellington César Lima e Silva. Integrantes da cúpula da PF acusam a AGU de se omitir nos atritos com Mendonça. O órgão, por sua vez, sustenta que a corporação apresenta medidas que poderiam levar à anulação de investigações sobre o Banco Master.

Conflito entre AGU, PF e Supremo

A disputa se intensificou quando a Polícia Federal passou a pedir que a AGU atuasse no Supremo para reduzir o controle de Dias Toffoli sobre inquéritos dos quais ele era relator. Com o aval de Lula, a Advocacia-Geral da União rejeitou esse tipo de atuação, sob o argumento de que a medida poderia envolver o governo em uma crise de outro poder e gerar acusação de interferência.

Messias tentou intermediar uma solução e marcou, em agosto, uma reunião entre Mendonça e Wellington Lima e Silva. Andrei Rodrigues não participou do encontro. Segundo aliados de Lula, o diretor-geral da PF também participou de reuniões e cafés ligados a uma articulação de ministros do STF que criticava integrantes do governo. Para essa ala, a presença dele teria contribuído para o agravamento da crise.

O presidente tentou se manter distante do conflito, mas se manifestou depois de conversar com Edson Fachin e Gilmar Mendes, presidentes e ministros do STF em momentos distintos. A tensão entre integrantes da corte aumentou após a rejeição de Messias, atribuída, entre outros, a Gilmar, Moraes e Flávio Dino.

Lula havia reagido ao episódio reivindicando o direito de indicar o ocupante da cadeira de Barroso e destacando a preparação técnica de Messias, que tinha apoio explícito de Mendonça e Kassio Nunes Marques. A derrota ampliou a desconfiança entre os ministros. O conflito se agravou a um mês do primeiro turno, quando Lula foi aconselhado a agir para evitar que a disputa dominasse a agenda eleitoral.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.