A TV Globo cancelou o debate presidencial previsto para esta quinta-feira (01/10), depois que Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de participar e novas decisões judiciais modificaram a composição do evento. O programa começaria às 21h30, mas o cancelamento foi comunicado às 20h40, 50 minutos antes do horário marcado. Foi a primeira vez desde 2002 que a emissora não transmitiu um debate presidencial no primeiro turno.
Candidatos inicialmente convidados
Em 23/09, a emissora havia anunciado convites para Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). A lista considerava a regra eleitoral que prevê a participação de candidatos cujos partidos tenham elegido ao menos cinco parlamentares federais na última eleição.
Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) ficaram fora da relação inicial. A Globo informou, porém, que poderia chamar um substituto se algum dos convidados não comparecesse. O partido Missão anunciou que pretendia organizar um protesto diante da emissora no dia do debate.
Em 27/09, Flávio confirmou que iria ao encontro, mesmo se Lula não participasse. Na ocasião, afirmou: “Vou no debate da Globo. Está confirmado.”
Decisões judiciais mudam o evento
Em 29/09, Romeu Zema obteve no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma decisão do ministro Kassio Nunes Marques que assegurou sua participação. O Novo sustentou que tinha a representação mínima exigida, considerando cinco parlamentares, e o ministro entendeu que deveria prevalecer o número atualizado de integrantes do partido.
No dia seguinte, a campanha de Lula informou que o petista não iria ao debate. Ele escolheu participar de uma entrevista ao podcast Flow no mesmo horário.
Na quinta-feira (01/10), a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou a retirada do púlpito reservado a Lula. Uma regra previamente aceita pelas campanhas previa que o espaço permanecesse vazio, identificado com o nome do candidato ausente. A ministra avaliou que a exposição poderia produzir efeitos além da informação sobre a ausência e pressionar candidatos a comparecer.
Cerca de 2 horas antes do debate, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos. A decisão, tomada a pedido do partido Solidariedade, considerou indevida a exclusão e citou a liberdade de expressão e o pluralismo político. Antes disso, pedidos de Renan haviam sido rejeitados por Nunes Marques e não analisados no mérito por Cármen Lúcia.
Desistência e cancelamento
Depois das decisões sobre o púlpito e sobre a participação de Renan, Flávio anunciou que não compareceria. Ele atribuiu a desistência à determinação do TSE e escreveu que havia censura ao evento.
Em nota, a TV Globo afirmou que “as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica” e representam interferência na liberdade de organização dos debates eleitorais. A emissora citou as medidas que garantiram as participações de Zema e Renan e a decisão que proibiu a exibição do púlpito vazio.
No horário previsto para o debate, às 21h30, Lula participou do Flow, Flávio fez uma transmissão nas redes sociais e Renan liderou um protesto diante da sede da emissora, no Rio de Janeiro. Vídeos divulgados 2 horas depois mostraram policiais militares avançando para dispersar a manifestação. Renan afirmou que não teve a entrada autorizada na sede da Globo.



