Belo Horizonte, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Brasil

Mudanças na composição do debate antecedem desistência de Flávio Bolsonaro

Decisões do TSE e do STF alteraram a participação de candidatos e as regras do evento, cancelado 50 minutos antes do horário previsto.

Mudanças na composição do debate antecedem desistência de Flávio Bolsonaro

A TV Globo cancelou o debate presidencial previsto para esta quinta-feira (01/10), depois que Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de participar e novas decisões judiciais modificaram a composição do evento. O programa começaria às 21h30, mas o cancelamento foi comunicado às 20h40, 50 minutos antes do horário marcado. Foi a primeira vez desde 2002 que a emissora não transmitiu um debate presidencial no primeiro turno.

Candidatos inicialmente convidados

Em 23/09, a emissora havia anunciado convites para Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). A lista considerava a regra eleitoral que prevê a participação de candidatos cujos partidos tenham elegido ao menos cinco parlamentares federais na última eleição.

Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) ficaram fora da relação inicial. A Globo informou, porém, que poderia chamar um substituto se algum dos convidados não comparecesse. O partido Missão anunciou que pretendia organizar um protesto diante da emissora no dia do debate.

Em 27/09, Flávio confirmou que iria ao encontro, mesmo se Lula não participasse. Na ocasião, afirmou: “Vou no debate da Globo. Está confirmado.”

Decisões judiciais mudam o evento

Em 29/09, Romeu Zema obteve no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma decisão do ministro Kassio Nunes Marques que assegurou sua participação. O Novo sustentou que tinha a representação mínima exigida, considerando cinco parlamentares, e o ministro entendeu que deveria prevalecer o número atualizado de integrantes do partido.

No dia seguinte, a campanha de Lula informou que o petista não iria ao debate. Ele escolheu participar de uma entrevista ao podcast Flow no mesmo horário.

Na quinta-feira (01/10), a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou a retirada do púlpito reservado a Lula. Uma regra previamente aceita pelas campanhas previa que o espaço permanecesse vazio, identificado com o nome do candidato ausente. A ministra avaliou que a exposição poderia produzir efeitos além da informação sobre a ausência e pressionar candidatos a comparecer.

Cerca de 2 horas antes do debate, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos. A decisão, tomada a pedido do partido Solidariedade, considerou indevida a exclusão e citou a liberdade de expressão e o pluralismo político. Antes disso, pedidos de Renan haviam sido rejeitados por Nunes Marques e não analisados no mérito por Cármen Lúcia.

Desistência e cancelamento

Depois das decisões sobre o púlpito e sobre a participação de Renan, Flávio anunciou que não compareceria. Ele atribuiu a desistência à determinação do TSE e escreveu que havia censura ao evento.

Em nota, a TV Globo afirmou que “as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica” e representam interferência na liberdade de organização dos debates eleitorais. A emissora citou as medidas que garantiram as participações de Zema e Renan e a decisão que proibiu a exibição do púlpito vazio.

No horário previsto para o debate, às 21h30, Lula participou do Flow, Flávio fez uma transmissão nas redes sociais e Renan liderou um protesto diante da sede da emissora, no Rio de Janeiro. Vídeos divulgados 2 horas depois mostraram policiais militares avançando para dispersar a manifestação. Renan afirmou que não teve a entrada autorizada na sede da Globo.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.